Opinião – Felicidade

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Hélder Bruno Martins

A 28 de junho de 2012, a ONU instituiu o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. De acordo com a respetiva resolução, “a busca da felicidade é um dos objetivos fundamentais do ser humano” e é necessária “uma abordagem mais inclusiva e equilibrada ao crescimento económico que promova o desenvolvimento sustentável e o bem-estar”. A proposta foi apresentada pelo Butão – o país que, desde 1972, ao invés de utilizar o Produto Interno Bruto (PIB) como indicador de desenvolvimento, analisa a “ Felicidade Nacional Bruta”, que consiste em analisar não apenas o crescimento económico, mas também os aspectos psicológicos, culturais, ambientais e espirituais da população. Na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio +20 – foi deliberado que seria adotada uma abordagem de equilíbrio entre três pilares: crescimento económico, desenvolvimento social e proteção ambiental.
Em termos filosóficos, a felicidade é um conceito complexo. Religiosamente, pode nem estar ao alcance de cada um de nós, nesta dimensão existencial. Contudo, há um conjunto de princípios que podem situar-nos relativamente aos vetores sociais de bem-estar, de “felicidade”, individual e coletiva. Para lá dos fatores endógenos (do indivíduo, que resultam dos seus contextos), existem condições exógenas que estão em linha com princípios e valores humanos, ambientais, ecológicos, fundamentais para alcançar a felicidade (ou facilitar-lhe o acesso): um conjunto de pressuspostos universais para alcançar a “felicidade”.
Ban Ki-moon, o então secretário geral da ONU, aquando da primeira comemoração do Dia Internacional da Felicidade, afirmou que “quando contribuímos para o bem comum, enriquecemo-nos a nós próprios. A compaixão promove a felicidade e ajudará a construir o futuro que queremos”.
Nesta declaração, ressalta um aspeto muito interessante: os princípios de vida enunciados pelo Sec. Geral da ONU – particularmente o de “compaixão” enquanto promotora de felicidade – deixam de ser exclusivos das religiões (de todas as religiões) ou de abordagens pessoais baseadas numa certa espiritualidade, para passarem agora para o plano político.
No plano político as transformações têm um tempo próprio. Mas, se a política é feita por indivíduos, são eles que as deverão ser assumir, antes de mais, no seu quoidiano e dentro do seu raio de ação. A avaliar por alguns relatórios, a maioria dos cidadãos vive insatisfeita, infeliz com o seu modo de vida: o ritmo e a pressão, a distância dos que mais ama, a ausência de afetos, o vazio.
Desistir é um direito. Mudar é um dever. Pensar nos outros, a começar pelos que mais amamos, é uma obrigação. Sejamos felizes. Não nos (o/a)diemos.

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