“Não aceito mitos sobre o infante D. Henrique”

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Alfredo Pinheiro Marques fundou o Centro de Estudos do Mar (CEMAR) há 22 anos. Desde então, publicou 60 livros sobre a atividade marítima

 

Que tipo de estudos realiza o CEMAR?

O CEMAR é uma associação científica sem fins lucrativos apontada para o património cultural e histórico marítimo. Isso significa, não [apenas] a história marítima mas também uma outra, que nos pareceu importante e desprezada, que é a cultura popular marítima, as pescas e os pescadores. A esse nível, fomo-nos dedicando a vários tipos de áreas, sobretudo aos mais esquecidos: a arte xávega.

 

Quantos investigadores tem?

O CEMAR é uma pequena carrocinha que um grupo de amigos puxa. Somos uma pequeníssima organização. Conseguimos editar 60 livros em 20 anos, o que faz de nós a maior entidade editora da região. (…) Recentemente, um dos nossos associados, o sr. Manuel Luís Pata, recebeu a medalha de ouro de mérito da câmara. O sr. Manuel Luís Pata é nosso associado desde sempre e é o responsável pelas obras da Figueira da Foz e pesca do bacalhau.

 

Tem sede em Buarcos, mantém relações estreitas com Mira e já se aproximou de Montemor-o-Velho. A que se deve esta dispersão?

O CEMAR está interessado na herança marítima da Beira Litoral em geral, desde a época dos Descobrimentos e do Infante D. Pedro. Temos projetos variados. Em Mira, tivemos instalações museológicas; em Montemor-o-Velho, tentámos, sem êxito, criar a Casa-Museu Infante D. Pedro, o que veio a ser impossível, no âmbito de situações bastante graves que vão ser resolvidas em sede própria. Na Figueira da Foz, vamos avançar com o maior de todos os projetos, que é o Museu do Mar da Foz do Mondego.

 

Promoveu, recentemente, uma exposição sobre Luís de Albuquerque. O que é que foi mostrado?

Simbolicamente, quisemos assinalar os 100 anos do nascimento do professor Luís de Albuquerque, o maior historiador da náutica e um homem também ligado à Figueira da Foz, onde escreveu grande parte da sua obra.

Fale-nos do museu que pretende criar.

A ideia de criar um museu do mar na Figueira da Foz é obrigatória. De facto, é um pouco espantoso que possa não existir, porque já todas as cidades têm um museu do mar.

 

A cidade já tem um núcleo museológico do mar.

Estamos a falar de um museu. Esse núcleo correspondeu a uma tentativa da câmara para fazer alguma coisa nessa área: é aquilo que foi possível fazer. Agora, qualquer pessoa compreende que uma cidade como a Figueira da Foz, com a herança marítima que tem, não ter ainda um museu e ter uma pequena instalação dessas, é algo um pouco embaraçoso. (…) A parceria que vai ter de ser criada é vasta e vai incluir a autarquia, o CEMAR e outras entidades que vão apoiar, nomeadamente a Marinha, que é a entidade mais significativa, que pode fazer a diferença.

 

A que se deve a sua relação tensa com a Universidade de Coimbra, onde lecionou história?

Infelizmente, isso acabou por refletir-se, também, no CEMAR, o que é grave. É um litígio do conhecimento público. Tem a ver com situações muito complicadas. Como historiador, sou um homem que não aceita todas essas ideias tradicionais e mitos antigos sobre o Infante D. Henrique e todas essas ideias salazaristas que ficaram de pedra e cal. Acho que, pelo contrário, há uma importância do infante D. Pedro. | Jot’Alves

 

Esta entrevista pode ser ouvida na íntegra, hoje, pelas 21H00, na Foz do Mondego Rádio (99.1FM), e vista na Figueira TV.

 

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