Opinião: Um e o Outro

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Norberto Canha

Nesta idade, embora esteja sóbrio, acentua-se a minha amargura por verificar que o país continua a afundar-se – nada produz salvo imposto e regalias
As restrições aumentam e, a saúde é das primeiras em que isso se verifica. Aumenta a população idosa, precisam de carinho; quando vão ao médico, quantas vezes, é disso que esperam e precisam. Mas como quem governa o que quer é estatísticas, os médicos não têm tempo para olhar para o doente. Quantas vezes é, apenas, o que esperam. Mas como quem governa o que quer são estatísticas, os médicos não têm tempo, têm o olhar fixo nos computadores… Não têm tempo para olhar para os doentes!…
Como utilizo atualmente praticamente só os transportes públicos ouço os seus queixumes e os seus lamentos…
Como poderia ser diferente, se os senhores deputados e legisladores andassem como eu de autocarro e estivessem desde sempre em contacto com o povo, então estariam melhor informados. As leis seriam diferentes e, não escravas das leis americanas e alemãs, e em que o direito à informação com a penalização dos atos médicos as nossas leis teriam outra redação.
Quando fazia clínica, veio-me consultar um residente e trabalhando nos Estados Unidos da América. A razão da consulta, tinha feito uma fratura do colo do úmero e queria saber como se encontrava. Dou-lhe os parabéns depois de o ter observado, clinicamente. “Pois, quando estava a sair do hospital surge um advogado fazendo a seguinte proposta: meta-os em tribunal porque devia ter sido operado”. Não foi operado. O advogado: “se houver indemnização será 50% para mim e 50% para si”.
“Não será isto o que está a acontecer? Olhe! Se fosse em Portugal, se o tivessem operado, haveria razão para esse procedimento”.
Situação: se um indivíduo tem uma dor de cabeça, independentemente da idade, poderá ter um aneurisma cerebral que não pode ser diagnosticado. Se morre, logo na voz do povo e da imprensa, foi negligência médica. Donde por tudo e por nada pedem-se exames (caros) que podiam ser dispensados.
Como vão carenciando os meios passaram, devido às restrições, a morrer doentes que antes não morriam.
A saúde em Coimbra, e no país, está francamente pior do que já esteve; não poderia ser de outra forma.
Falando de Coimbra, havia duas salas de operações na urgência que foram encerradas. Uma para ortopedia e outra para cirurgia. Os doentes têm que ser operados no bloco operatório central. O bloco, como homem, tem que ter repouso, e esterilizado como antes se fazia. Aumentaram as infeções. A imprensa anuncia que 20% das mortes são por infeções hospitalares, com resistência aos antibióticos.
Será que ouvem quem sabe ou limitam-se a ser escravos da subserviência?
E se os doentes começarem a atribuir as culpas ao hospital? Não ficarão mais caras as indemnizações do que o descuido com que está a acontecer? Isto é contra os hospitais mas se responsabilizarem os médicos por tudo e por nada e a isso ficarem sujeitos.
Se 20% das indemnizações forem para o estado, de ambos, não será que dá lucro e passa a ser um bom negócio? Não é! Mas leva-nos a pensar!…

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