Opinião: Nos SMTUC não se toca

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Francisco Queirós

transportes urbanos em Coimbra desde 1874, quando foram introduzidos os carros americanos. A 15 de Maio de 1908, a Câmara de Coimbra deliberou “que se municipalize o serviço de tracção eléctrica”. Nascia o serviço público de transporte urbano. A 1 de Janeiro de 1911 foi inaugurado o sistema de carros eléctricos com 5 viaturas. Hoje os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC, resultantes da desagregação em 1985 dos Serviços Municipalizados de Coimbra) prestam um serviço inestimável à população do concelho, transportando cerca de 13 milhões de passageiros por ano. Actualmente, está em curso a renovação da frota e a admissão de novos trabalhadores. Este processo é imparável, sendo necessário aumentar gradualmente a oferta do serviço para alcançar toda a população do concelho, ao invés da solução de redução de linhas preconizado num estudo encomendado pelo anterior executivo municipal. Reforçar e modernizar os SMTUC é essencial para a melhoria da qualidade de vida dos conimbricenses. Julgar-se-á que todos pensam assim. Mas não! Há quem queira desmantelar o serviço de transportes de Coimbra. Não conheço o mais recente estudo que o governo encomendou a propósito do Metro. Diz-se porém que aponta para a fusão dos SMTUC com a “Metro Mondego”, através da criação de uma empresa local. Se assim for, satisfaz os interesses de alguns, não os do Concelho. Será que se pretende dissolver os transportes urbanos numa empresa fantasma com um projecto inviável que, para além de ter consumido largos milhões de euros, só tem para mostrar o desmantelamento em 2010 do centenário Ramal da Lousã!? À falta do “metro”, a saída airosa seria esta fusão, reinaugurando-se a linha da Lousã com autocarros, possivelmente na solução BRT (Bus Rapid Transit).
Ora, haja juízo! Invista-se na modernização da frota dos SMTUC e no alargamento e melhoria do serviço que presta! Reponham-se os carris, modernizando o Ramal da Lousã! Devolva-se aos municípios o património afectado. Esta é a posição do PCP, ao contrário das outras forças políticas. O BE vem agora defender uma solução empresarial local. Em pergunta ao governo a 30 de Novembro (pergunta n.º1552/XIII) sobre uma suposta falta de equidade no enquadramento dos motoristas dos SMTUC relativamente aos outros motoristas portugueses, para além de revelar ignorância ou outras intenções, o BE interpelava: “Está o governo disponível para, em conjunto com a Câmara Municipal de Coimbra, tomar as decisões necessárias (…) abrindo-se caminho à constituição de uma entidade pública empresarial local que assuma a produção dos serviços públicos de transporte de passageiros no município de Coimbra?” E qual seria o fim desta empresa local? Desde logo, ao abrigo da legislação em vigor (art. 32.º da Lei n.º50/2012 ) seria viável? Ou seria rapidamente e de novo internalizada no município? Recorde-se que metade das receitas dos SMTUC resulta de transferência da Câmara como subsídio à exploração. Em alternativa, haveria quem defendesse a privatização. Até há uma parte do negócio que é rentável. Não é brincar com o fogo?
Coimbra precisa de transportes colectivos públicos modernos, fiáveis e que sirvam toda a sua população. Investir ainda mais nos SMTUC é a solução que melhor serve a população de Coimbra!

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