Opinião: E se deixássemos de ser parolos?!

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Gonçalo Capitão

No mural de um amigo em determinada rede social leio acirrada defesa do Sport Lisboa e Benfica. O cidadão em causa é um indivíduo com actividade cívica conhecida e reconhecida, e a instituição que defende é prestigiada.

No entanto, dou comigo a pensar: por que diabo não defende esta alma o clube da terra?! Faltam méritos ao braço futebolístico de uma Associação velhinha de 129 anos?!

Não representa a Associação Académica de Coimbra/OAF, a mais de um grupo dedicado ao pontapé na bola, uma forma de estar na vida corporizada pela casa mãe?!

Não é historial da Briosa honroso de um ponto de vista desportivo, mas também no que já fez por princípios tão importantes como a liberdade?!

E para quem ande a guerrear com base em cores (li que um jogador de um alegado “grande” foi impedido de estacionar junto dos colegas por ter um carro com a cor de um rival), haverá maior elegância do que um negro integral?

A resposta é simples: quem é de Coimbra ou por lá passou deveria amar a Briosa e tudo o que ela representa e, mais do que isso, habituar os filhos a entenderem que não temos que ser todos vermelhos, azuis ou verdes.

A mais disso, bem sei o quanto é bom ganhar. Todavia, as vitórias numéricas não são tudo na vida. O brio de defender uma cidade e uma universidade repletas de história e beleza, a honra de estar em campo em nome de uma maneira de ver o desporto como uma prática alicerçada em valores e os atletas como algo mais do que cavalos de corrida, o orgulho de pertencer a um grupo exclusivo dada a excelência de comportamento que se exige a um academista; tudo isto, dizia, representa um acervo de argumentos com o qual poderíamos exaltar o fervor coimbrão e a saudade daqueles que o viveram, embora sejam de outras paragens.

Todavia, é importante não embarcarmos nós próprios na histeria colectiva que parece tripartir os demais portugueses. É, por isso, imperioso meditar sobre o que nos falta para remar contra a maré.

Desde logo, tradição. O Portugal da bola é assim mesmo, e os media não vão deixar que seja de outro modo. Como se venderiam três diários desportivos de outra forma? Como se suportariam tantos e tão quezilentos programas televisivos de suposto debate (na realidade mais parecem documentários sobre boçalidade)?

Depois há um trabalho que compete aos dirigentes. Dei várias ideias no meu tempo, mas outros valores se ergueram com maior urgência e entusiasmo por parte dos meus pares…

Em terceiro lugar, com um estádio com capacidade para cerca de 20% da população residente, será sempre um pouco difícil operar milagres, embora defenda acerrimamente a localização do mesmo.

Tirando o localizado fenómeno vimaranense (pese embora escorado em argumentos muito diferentes daqueles que julgo estarem na essência da Associação Académica de Coimbra), a indigência é a nota marcante das assistências da esmagadora maioria dos estádios portugueses.

Por fim, com a concorrência de azuis, vermelhos, verdes, e de todas as estupendas ligas que passam na televisão, é necessário um futebol vistoso e que entretenha.

2 Comments

  1. Zé da Gândara says:

    Lá tinha de vir a defesa da vanity fair de Coimbra… Já cansa! Mude de CD!

  2. "ou por lá passou deveria amar a Briosa"? Porquê? Também tenho um clube lá na terrinha!! Era o que mais faltava ter que amar a Briosa. Até simpatizo. Mas pouco mais…

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