Conselho Geral da Universidade de Coimbra com candidaturas contra fundação

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Foto: Luís Carregã

Foto: Luís Carregã

As eleições para o Conselho Geral da Universidade de Coimbra (UC) realizam-se na terça-feira, contando com 13 listas candidatas de professores, estudantes e pessoal não docente, algumas das quais se mostram contra a passagem a regime fundacional.

Das restantes sete listas candidatas nenhuma se assume a favor, ao preferirem não tomar uma posição sobre a passagem da UC a fundação antes das eleições, optando por iniciar primeiro o debate e ouvir os seus pares.

A transformação ou não da instituição em fundação deverá ser discutida no Conselho Geral que vier a ser eleito, depois de o reitor ter proposto o início do debate da passagem ao regime fundacional em julho.

O Conselho Geral, um dos órgãos de governo da universidade, é composto por 18 representantes dos professores e investigadores, cinco representantes dos estudantes, dois representantes dos trabalhadores não docentes e não investigadores e dez personalidades externas à UC.

Das quatro listas dos docentes e investigadores contactadas pela agência Lusa, apenas a lista A, encabeçada por Ernesto Costa, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), se afirma “contra a passagem ao regime fundacional”.

Como argumentos, Ernesto Costa aponta para a possibilidade de a universidade efetuar contratações com base em direito privado e a existência de um conselho de curadores que reduziria a democracia e a participação na instituição.

Já a lista I, liderada por Cláudia Cavadas, de Farmácia, defende apenas um “debate alargado” – posição igualmente assumida pela lista U, encabeçada por Luís Silva, da FCTUC, que considera a questão “demasiado importante para ser discutida numas eleições”.

Também a lista E não assume uma posição, com António Antunes, da FCTUC, a considerar que, havendo uma passagem a fundação, o papel do Conselho Geral “não vai ser diminuído”.

Dos candidatos não docentes, apenas uma lista de três – lista T – se assume contra, por “a passagem a fundação não estar prevista no plano estratégico” da UC que está em vigor até 2019, explica a cabeça de lista, Cristina Pinto.

As listas D e IN pretendem ouvir os trabalhadores antes de tomar uma posição.

No entanto, António Queirós, da IN, refere que, se a posição da sua lista inicialmente era “neutra”, hoje “é muito pouco favorável”.

A passagem da fundação torna a UC “mais dependente de interesses privados e a formação do conselho de curadores, com a nomeação de seis pessoas externas, pode ser bastante perigosa e levar à perda da autonomia universitária”, sustenta a estudante de Medicina Ana Rita Ramos, da lista C.

A posição é partilhada pelas listas A e P, sendo que a lista V, liderada por Henrique Cabral, se assume somente como “tendencialmente contra”, face aos “riscos associados” de algo que poderá “ser um caminho para a privatização da universidade”.

Alfredo Campos, candidato a representante dos doutorandos, disse à Lusa que a lista D “decidiu candidatar-se, acima de tudo, por causa da passagem a fundação”, assumindo uma posição contra aquilo que entende como uma “machadada final na gestão democrática” da instituição.

Já a lista J, defende a realização de um plenário, por ser uma “temática muito desconhecida” no seio da academia.

Nas listas, há também propostas para garantir uma eleição mais direta do reitor, reduzir os poderes dos diretores das faculdades, reduzir o valor da propina de estudantes nacionais e internacionais, criar bolsas de ação social para doutorandos ou a aposta na investigação e transferência do conhecimento para a sociedade.

As eleições realizam-se das 09H00 às 19H00 de terça-feira.

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