Opinião – Saudades do futuro

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Daniel Santos

Daniel Santos

 

No decurso das pesquisas que, acerca do planeamento urbanístico da Figueira a partir de finais do século XIX, tenho vindo a fazer, deparo-me sistematicamente com duas referências. Uma tem a ver com as caraterísticas que a Figueira, as suas belezas naturais, a orografia, a localização, o clima, as condições naturais, possui para, no dizer de António Ferreira da Silva Fonseca, no “ante-projecto da zona occidental da cidade”, que seu pai, vereador, depois presidente da câmara, apresentou para aprovação, “agradar ao touriste”.
Já antes, com a sua proposta da construção de um porto de águas profundas no Cabo Mondego, Baldaque da Silva havia apresentado um “plano de aformoseamento” para o que considerava ser o perímetro urbano da Figueira, no qual se privilegiava o ordenamento da “estância balnear”. Mais tarde, nos anos 30 a 50, Edmundo Tavares e Faria da Costa também centram as suas propostas nas características balneares da Figueira.
A outra referência, que constitui um traço comum a todas as propostas, é a constatação de que se torna necessário antever medidas urgentes para prosseguir objetivos para além do fervilhar da frenética atividade do veraneio que descreve Jorge de Sena nos seus “Sinais de fogo”. Volvidos todos estes anos, apesar de se encontrar já definida uma estratégia (?), continuamos a laborar na busca de um futuro desconhecido, sempre adiado.

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