Opinião: 500 mil euros – uma bagatela para a velhice dos portugueses

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Francisco Queirós

Francisco Queirós

Afinal, só não tem 500 mil euros quem não quer, ou não sabe poupar! Pois é! Leiam-se os jornais. E lá nos explicam que só nós, os estúpidos e os esbanjadores, somos pobres. Por opção, claro. Pelo menos, os casais da classe média podem bem poupar 500 mil euros, o que nem é assim tanto dinheiro.

Num jornal especializado em economia, Ricardo Campelo Magalhães, consultor financeiro, discorre sobre fortunas. Veja-se: “500 mil euros não é uma fortuna. É o mínimo que um casal da classe média tem de ter acumulado para completar a parca reforma que vai receber na velhice”, acrescenta: “quem conseguiu acumular esse valor nesta sociedade consumista incumpriu com o dever patriótico de estimular a economia e certamente ganhou demais, tendo agora uma riqueza acumulada que tem de distribuir para que todos sejamos igualmente remediados, ataca-se.” Pois não, esclarece: “Acontece que 500.000 euros, na verdade, não é muito para um casal ter como poupança para a velhice.” Perceberam?

A maioria dos portugueses afortunadamente não leu este artigo de opinião. Insultados e maltratados já são diariamente muitos portugueses. Para um casal que aufira o salário mínimo nacional, 500 mil euros será o valor total de todos os seus salários (do casal) no final de mais de quarenta anos! Se forem “patrioticamente poupados”, se quase não comerem e se não pagarem despesas mínimas obrigatórias, aforrando mensalmente a quarta parte dos seus rendimentos (cerca de 250 euros/mês), os membros do casal poderão esperar dispor de um pé-de-meia para a velhice da ordem dos 500 mil euros, após 2 mil meses de poupança, cerca de 166 anos! Para outros rendimentos façam-se as contas…

Portugueses por que teimais em ser pobres?!

Quanto vale ter um consultor financeiro assim? O rapaz, além de justificar a pobreza de milhões de portugueses com a sua pouca queda para a poupança, deixa conselhos: “Acontece que 500.000 euros, na verdade, não é muito para um casal ter como poupança para a velhice.” E assim, resolve um exercício matemático digno de um Nobel.

Ou será um conselho à fraude fiscal e à ocultação de rendimentos? Diz-nos Ricardo Magalhães que um casal de classe média, de profissão liberal, com salários de mil euros cada membro do casal, pode em 168 meses, a poupar 3 mil euros por mês (como?) incumpriu com o dever patriótico de estimular a economia e certamente ganhou demais, tendo agora uma riqueza acumulada que tem de distribuir para que todos sejamos igualmente remediados, ataca-se.

Acontece que 500.000 euros, na verdade, não é muito para um casal ter como poupança para a velhice. Senão imaginemos um exemplo comum: dois profissionais liberais, a meio da sua carreira, que estejam hoje a ganhar 1.000 euros cada. Um casal perfeitamente normal e dentro das médias nacionais., aforrar 504 mil euros! Simples! Confuso?

Deixai-vos, portugueses, de lamúrias! Poupai! Deixai que os ricos o sejam em toda a sua plenitude. Não tenhais inveja! Afinal, 166 anos a poupar passam num instantinho!

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