O quotidiano num hospital psiquiátrico segundo Jorge Pelicano

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Para-me de repente o pensamento

Jorge Pelicano é hoje um dos grandes nomes do documentário em Portugal. O realizador nascido, em 1977, na Figueira da Foz e formado em Comunicação e Jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que se apresentou ao público com um memorável “Ainda há pastores?” (2006), assinou entretanto o notável documentário cinematográfico “Pára-me de repente o pensamento”. O filme, a retratar de uma forma muito especial o quotidiano dos internados no Hospital Psiquiátrico Conde Ferreira, passa esta terça-feira, às 22H30, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra.

A sala a que regressa depois de lá ter sido triplamente distinguido com o Grande Prémio, o Prémio do Público e Melhor Realizador, no festival Caminhos do Cinema Português, em novembro de 2014. Logo depois, “Pára-me de repente o pensamento” foi igualmente distinguido no International Festival Signes de Nuit, em Paris, em dezembro de 2014, na secção de cinema transgressivo, com o Prémio Signes. E mereceu ainda o Prémio Sophia 2016 – Melhor Documentário em Longa-Metragem.

O filme de Jorge Pelicano traça o retrato do quotidiano dos internados no hospital psiquiátrico portuense Conde Ferreira – os rituais, as rotinas, as dúvidas dos internados – , acompanhado pelo ator Miguel Borges durante uma residência de três semanas no hospital psiquiátrico.

De acordo com uma nota da produção, o filme dá a conhecer “uma visão pouco explorada sobre o mundo da doença mental através do olhar do ator Miguel Borges que submergiu, durante três semanas, na realidade do Hospital Psiquiátrico Conde de Ferreira (no Porto) para a preparação e pesquisa de uma peça de teatro sobre a loucura”.

Miguel Borges, prossegue a nota, acaba por integrar o grupo interno do teatro terapêutico constituído por alguns utentes que ensaiam uma peça a propósito dos 131 anos da instituição hospitalar.

“Pára-me de repente o pensamento” pretende, asseguram os seus responsáveis, “contribuir para derrubar estigmas em torno da doença mental permitindo ao público, através dos testemunhos dos utentes na primeira pessoa, abordar o lado humano, o irracional, o emocional e todos os outros lados que, afinal, constituem a complexidade humana”. Um documento artístico a não perder.

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