Opinião – Uma avaliação política do “presente”

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Lucilio Carvalheiro

Lucilio Carvalheiro

Há que se admitir que a diferença entre o “presente” e o “futuro” é, sem dúvida, apenas a questão do grau das circunstâncias, ou seja: 0 “presente”, com todas as suas vicissitudes, poderá ser substituído pelo “futuro” vago e obscuro – é tudo.

De facto, na encruzilhada das linhas políticas identitárias, graves e profundos problemas se colocam. O Bloco de Esquerda (BE) vive um momento de deslumbramento; o Partido Comunista Português (PCP) vive um momento de identidade ortodoxa em banho-maria; o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS) feridos, gravemente, no seu orgulho; a União Europeia é vista como uma coutada da Alemanha, pese embora, o rude golpe político do Reino Unido (Brexit); e o sistema financeiro, aturdido, à espera de uma panaceia qualquer – a propósito: aplicações financeiras (empréstimos) a juros negativos não é a antítese da sua natureza?

Ora, tudo isto nos convoca ao uso crítico da razão.

Decerto.

Temos presente os “casos” de momento. Seja o escândalo protagonizado pela Federação Distrital de Coimbra do Partido Socialista (PS); seja o caso de um Procurador da República ter sido corrompido; seja, para os maldizentes, a colocação como Ministro da Cultura de uma “toupeira” (condução do caso CCB desastrada), etc, etc, etc. Mas não devemos ir ao ponto de afirmar que estes casos, entre tantos outros, definem o “presente” político substantivo.

Precisamente.

Se considerarmos a profecia de que o sistema financeiro desenfreado, tal como o conhecemos, não irá durar muito tempo, e que os seus apologistas – por cá o PSD e o CDS – que estão convencidos que irá durar e durar estão errados, então temos de reconhecer que o actual Governo do Estado tem razão.

Tem razão, também, ao sustentar que e principalmente a “negociação permanente”, isto é, a associação conciliatória dos interesses, é que irá desencadear a conversão da austeridade num novo sistema de regulação económica e social.

Mas também, neste aspecto, não devemos ir ao ponto de afirmar que o Sr. Primeiro-Ministro (Dr. António Costa) defenda esta metodologia estratégica, sobre outro nome o do socialismo. Aquilo a que chamamos de «Governo de Esquerda» é completamente diferente de qualquer forma de intervencionismo Estatal directo e, até certa medida, enaltece, isso sim, o intervencionismo democrático – o de levar a um acréscimo do Poder do Estado qual seja, o de aplicar o primado da política.

Pelo que, a esta luz, me sinto confortável com o Orçamento do Estado para 2016. O Consumo irá aumentar? eleva-se, portanto, o nível de vida das pessoas. É exequível? Pode sê-lo ou não. A seu tempo se verá. O risco que comporta é, tão-só, da acção e o tempo de reacção positiva de todos nós consumidores e, por consequência, dos agentes económicos (investidores, empresas, sistema bancário).

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