“A cena artística brasileira tem uma presença fortíssima no Colégio das Artes”

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FOTO DB/LUÍS CARREGÃ

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O Colégio das Artes, criado há cinco anos, teve o objetivo de dar substância e visibilidade a uma postura nova da Universidade de Coimbra perante a arte contemporânea?

António Olaio – Desde logo, quando foi pensada a possibilidade de um lugar para o ensino artístico na Universidade de Coimbra, nós – e digo nós, porque eu fiz parte da comissão para a reflexão sobre o Ensino das Artes na Universidade de Coimbra, com muita gente de diversas áreas –, considerámos que seria mais interessante e faria mais sentido dedicarmo-nos aos estudos avançados, a mestrados e doutoramentos. Uma decisão que não aconteceu apenas por questões pedagógicas, para suprir uma presença menor, mas diluída, da Universidade de Coimbra nas artes – embora ela exista, mas dispersa, uma vez que vários cursos têm componentes artísticas, como Arquitetura, Estudos Artísticos, Design e Multimédia –, mas para partir também de uma reflexão sobre a arte e sobre a própria universidade. E não é por acaso que, há cerca de um ano, organizamos um encontro a que chamamos “Arte e Universidade” para refletir sobre a investigação em arte, mas muito também para refletir sobre a relação entre os dois conceitos.

No Colégio das Artes encontram-se, de facto, não apenas a reflexão sobre a arte e os artistas, mas a arte em si e os artistas que a fazem?

António Olaio – O Colégio das Artes, de alguma forma, dá corpo a esse espaço de reflexão e de mútua contaminação entre a arte e a universidade. Nós sentimos que estamos a produzir sentido dentro da própria arte. Numa universidade com quase 725 anos…

… e num espaço que foi o original Colégio das Artes?

António Olaio – Exatamente. Jogando com essa ambiguidade de as artes, na altura, serem outras, mas que, ao mesmo tempo, nos situam num contexto universitário de relações entre saberes. E é por isso que nós, no nosso doutoramento – em Arte Contemporânea –, não fazemos propriamente disciplinas, não há um curso como numa licenciatura, antes fazemos questão que os nossos seminários sejam sobretudo compostos por conferências, mais divergentes do que convergentes, dando pistas diversas, alargando e, sobretudo, dando possibilidade a essa contaminação e essa produção de sentidos nas relações entre diversas áreas.

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