Opinião – Os bombons

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Francisco Queirós

Francisco Queirós

O bom e o mau ladrão têm lugar na cultura judaico-cristã. Será por isso que abundam por aí os nossos maus, em tudo diferentes dos maus deles? Ultimamente, é ver-se a proliferação de “maus-bons”, opostos aos “maus-maus”. Não é nada fácil perceber tais princípios morais e éticos. Mas há quem nos queira fazer crer que há uma tortura boa, em tudo diversa da tortura .

A CIA, confirmam agora as autoridades norte-americanas, aplica uma tortura boa. As simulações de afogamento, a privação do sono por diversos e intermináveis dias, os espancamentos, são torturas com boas intenções. Serão equiparáveis aos safanões ou bofetões, dados a tempo pela PIDE, e que Salazar reconhecia como verdadeiros actos cristãos.

Aliás, nada disto é novo. Qual a admiração! In nomine Dei o que se fez? Em nome de Deus torturaram-se e executaram-se infiéis, promoveram-se guerras sangrentas, cristãos bons dizimaram cristãos maus e vice-versa. A saga, abençoada pelos mais diversos deuses, prossegue.

Os Estados Unidos, em nome da Liberdade, usaram ou usam a tortura contra seres humanos. Mas os fins justificam os meios – assim nos é explicado! O combate ao terrorismo obriga a tais medidas profiláticas. Aliás, dizem-nos que há um terrorismo mau, por exemplo, o islâmico, e um terrorismo bom, o israelita. E os princípios morais são de tal solidez que por vezes o terrorista mau se torna bom e o terrorista bom se torna mau.

Bin Laden, anti-soviético no Afeganistão, era um “mau-bom”, depois, o Bin Laden das Torres Gémeas é um “mau-mau”. Esta é a história dos bons e dos maus que a humanidade tem procurado, desde sempre, ensinar às criancinhas. Não faltam até histórias infantis. O lobo mau que come a avozinha e se prepara para papar a menina do capuchinho vermelho. E as crianças percebiam.

Mesmo antes dos casos mediáticos da Casa Pia ou de outras histórias de pedófilos. Houve um tempo em que as histórias tinham uma moral! Agora qual é a moral da história? O agente da CIA ou o militar de elite dos EUA que tortura um suspeito não é o lobo mau? Ou a menina do capuchinho vermelho transformou-se em carrasco e a avozinha não passa de um agente do Pinochet, de Salazar ou de Hitler?

Tudo isto é muito confuso! A moral e a ética não são universais! Os direitos humanos ou do Homem não existem! Não são uma colossal construção e conquista da humanidade! Nada disso! Há o “mal-bom”, o “mal-mal” e os “mau-maus” e há o “Bem-mau” e o “Bem-bom” e os “Bombons”. Obama, prémio Nobel da Paz, os seus antecessores, Bush e outros, são os “bombons”.

Os muçulmanos fanáticos são, sem dúvida, os “maus-maus”. Um torturador, arranque ele os olhos às vítimas, ou não, pertencerá a várias categorias possíveis. Um torturador da CIA, ou por equiparação um agente da PIDE, é um “bombom”!

Não sei que histórias se vão contar às crianças! Ainda as há que acreditam no Pai Natal, mas em bombons assassinos? Não me parece!

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