Jovens de Alcains regressam ao passado e aprendem arte da cantaria

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Debaixo de um telheiro, nas traseiras da escola José Sanches, de Alcains, Nuno Paiva, aluno do curso vocacional de escultura e rochas ornamentais, está a aprender a arte de canteiro depois de um período de desinteresse no ensino regular.

Aluno do segundo ano do curso, Nuno Paiva, 19 anos, faz questão de recordar que a vila de Alcains, no concelho de Castelo Branco, é uma terra cheia de tradições na arte da cantaria.

Depois de alguns anos meio perdido no ensino regular, “onde não tinha grandes expectativas” para o futuro, Nuno Paiva, decidiu investigar e optar pelo curso vocacional de escultura e rochas ornamentais, a funcionar na Escola José Sanches de Alcains desde o ano letivo 2012/2013.

“Alcains é uma terra com tradição na arte da cantaria. É uma terra de canteiros”, refere o jovem estudante, que quer dar continuidade a uma arte secular, apesar de fazer questão de sublinhar que não tem na família ninguém ligado à cantaria.

Atualmente, Nuno Paiva frequenta o segundo ano de um curso que pretende dar “continuidade à tradição de Alcains”.

“É isso que nos motiva. Cabe aos jovens preservar a cultura da terra [Alcains] e aquilo que a identifica”, adianta Nuno Paiva, que este ano conseguiu arrastar o seu irmão mais novo, Alexandre, de 14 anos, para o curso de cantaria.

Apesar de não ter tradição familiar na arte de trabalhar a pedra, Nuno Paiva mostra-se fascinado pela cantaria, uma arte que gostaria de seguir no futuro e fazer “forma de vida”, dando continuidade a uma tradição secular naquela vila no distrito de Castelo Branco.

“Andava na escola sem motivação. Repeti o 7.º ano [de escolaridade] por três vezes, a matéria não me motivava”, referiu.

Hoje, Nuno fala da cantaria com um brilho nos olhos e diz que já percebeu que “tem ainda muito para aprender”, numa arte que, apesar da sua juventude, já considera como sendo sua.

Desde o ano letivo passado, o Agrupamento de Escolas José Sanches de Alcains proporciona este curso vocacional aos jovens da região.

Para a presidente do Agrupamento, Rosa Caetano, esta tem sido uma “experiência fantástica”, apesar de o curso ser extremamente recente.

“Conseguimos motivar os alunos para o desenvolvimento desta arte [cantaria], que dá continuidade a uma tradição de Alcains. É isto que nos motiva”, refere a docente.

Carla Candeias e Alice Lourenço, professoras do curso de escultura e rochas ornamentais, realçam o facto de este curso ser uma “mais-valia” para muitos alunos que frequentavam o ensino regular e que “demonstravam imensas dificuldades e desmotivação”.

“Hoje têm uma oportunidade para concluir os seus estudos e a motivação é outra. Estes alunos que chegavam a faltar às aulas, encontraram na escola uma resposta às suas necessidades”, refere Alice Lourenço.

As docentes realçam ainda o apoio que as autarquias (Câmara de Castelo Branco e Junta de Freguesia de Alcains) têm dado à escola no âmbito do curso vocacional.

Aliás, esta posição é também assumida por Rosa Caetano, que faz questão de explicar que graças ao apoio das duas autarquias é possível dar continuidade ao curso vocacional.

“A Câmara de Castelo Branco construiu o ateliê e fornece as ferramentas para o curso e as empresas [da região] fornecem a pedra. O Ministério da Educação e Ciência (MEC), até ao momento, ainda não atribuiu quaisquer verbas. Só no primeiro ano, como experiência piloto”, refere Rosa Caetano.

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