Opinião – Coitados dos portugueses que tal gente atura

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Luís Santarino

Luís Santarino

O meu País está num estado deplorável.

Tão deplorável que, a 5 de Outubro nada se comemorou. E dever-se-ia comemorar, tanto a “Fundação da Nacionalidade” em 1143 por todos os cidadãos que não só os monárquicos, como a implantação da República no ano de 1910.

Duas datas marcantes da história de Portugal que deveria merecer o respeito do governo e dos portugueses.

Quando não respeita a história, como se pode aspirar a ter futuro?

Teremos pouco, confesso, quando ministros passeiam de forma arrogante a sua mediocridade, como o da educação, para quem 2% de professores é o registo de uma percentagem numérica e não pessoas.

Eu não fico espantado pela falta de seriedade intelectual. Seriedade intelectual deve ser coisa do passado; já todos estamos habituados a tal. Só me admira que o Primeiro-Ministro e o Presidente da República passem pelo “intervalo da chuva” e assobiem para o lado, como a dizer; isso é lá com ele!

Um, o primeiro, desfaz-se em argumentos esfarrapados tentando justificar o injustificável; porque ainda não demitiu o M.E! Não há outro! O segundo, o outro, está muito preocupado com a procriação do cavalo lusitano. O delírio!

Mas o segundo, continuando na asneira, invoca o seu estatuto de ex-aluno em Inglaterra, para defender a descentralização. Olhe lá, senhor outro, ainda não percebeu que Portugal “cabe na cova de um dente”?

Estes cidadãos, ministro incluído, não fazem a mínima ideia do clima que se vive na maior parte das escolas. Clima intimidatório, algum dele! A grande maioria dos professores está esgotada, não pelo trabalho que têm a obrigação de desempenhar porque é a sua profissão, mas pela má educação dos alunos, pelo abandalhamento da instituição escola e pelo desnorte do ministério que insiste no disparate.

A escola é um local de culto; de culto do trabalho, da disciplina, do rigor, dos projectos que envolvam boas práticas sociais, do culto do relacionamento interpessoal, enfim, uma organização em que os vários interesses confluam e não conflituem.

Mas olho à minha volta e nada disto se verifica. Estamos a desgraçar o que resta da nossa boa e próspera juventude, não lhes fornecendo, com trabalho, empenhamento e disciplina, as ferramentas que os coloquem no topo do interesse do país.

A generalidade dos professores sonha com a chegada do sábado e implora para que a segunda-feira seja de novo sexta.

É este o espírito que envolve professores, mas também encarregados de educação, “fartinhos” de um ministro e de um ministério sem o mínimo de qualidade para gerir a educação.

O País implora que se vá embora, vá de novo dar aulas, preferencialmente bem, e que deixe em paz uma população fartinha do seu sorriso malévolo e esclarecedor da sua incompetência.

O futuro decidirá se iremos ter outro governo – que seja rápido, como dizia Mário Ruivo em conversas que mantivemos – porque de outra maneira será muito difícil reparar o mal que está a ser feito.

Para quem andou a calcorrear o distrito de Coimbra durante “semanas a fio” ouvindo as queixas de muitos cidadãos, na tentativa de perceber o que mais desejariam num novo governo, temos a certeza que vamos ter um desafio enorme no futuro.

A educação e o emprego estão no centro das preocupações dos jovens, a saúde e a segurança social na preocupação dos mais velhos.

Os incompetentes poluem o nosso sistema democrático. Em todos os níveis de decisão.

Uma reforma urgente…urge!

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