Opinião – Oportunidade perdida

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RICARDO CASTANHEIRA

Ricardo Castanheira

Atualmente, e pela mão de uma marca de automóveis, o Roberto Leal e o “Vira, Vira, Vira…” regressaram ao prime time televisivo. No imaginário coletivo dos brasileiros tal imagem nunca saiu quando pensam em Portugal.

Aliás, passaram décadas e continuamos a ser associados a gente pouco inteligente, padeiros e mulheres de bigode. Assim é a imagem que (ainda) tem de nós uma larga maioria neste lado do Atlântico.

Para não especular prefiro assumir que a responsabilidade é sobretudo nossa. Dos sucessivos governos que pouco ou nada fizeram para “vender” a imagem de um novo Portugal. Apesar da crise, que não é um exclusivo nosso, temos um país de que podemos e devemos orgulhar-nos pelas mais diversas razões. Temos muito daquilo que hoje falta ao Brasil e que o condenará a prazo a não ser aquilo que poderia (e deveria) ser no contexto global, uma verdadeira potência. Temos educação, temos cultura, temos capacidade de trabalho e de sacrifício.

Quem não conhece não pode comprar. Nada tenho contra o Roberto Leal nem o seu estilo musical, porém essa não é (nem pode ser) a imagem de um país que precisa vencer. Os milhares de jovens portugueses altamente qualificados que chegam em busca de uma oportunidade no Brasil são a imagem de marca de um país novo e moderno. Perguntem-lhes o que pensam? O que ambicionam? O que desejam construir? Rapidamente verão que ao Brasil chega o melhor capital português de sempre. E se o governo português nada está a fazer para reter esse talento em terras lusas, menos ainda faz para os ajudar a singrar noutras paragens.

A Presidente do Brasil chega a Portugal para evocar o dia 10 de Junho e celebrar o Ano de Portugal no Brasil. Hoje tenho a certeza de que tais festividades não servem para coisa nenhuma.

Alguma visibilidade, mas nada de relevante para o que é preciso fazer. Diz-se que irá assinar algo para permitir a vinda de médicos portugueses para o Brasil. Interessante, se os mesmos puderem ter as mesmas oportunidades dos locais.

Desconfio que não, ou seja, irão para onde os colegas brasileiros não querem: o sertão, o interior isolado e desprezado… Mas o importante seria criar um acordo global que permitisse a todas as profissões um reconhecimento recíproco das qualificações e competências e não apenas algumas…

O Brasil hoje tem liquidez e vive um relativo desafogo, que o nosso país deveria aproveitar para obter um auxilio financeiro em condições mais favoráveis e menos onerosas para a nossa população que o modelo da Troika. Ao invés, queremos entregar por tostão e meio algumas joias da coroa (TAP,…).

“Vira, Vira, Vira…”

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