Opinião – O macaco Otelo e os direitos dos animais

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JOAO VAZ

João Vaz

Há umas semanas atrás fazia notícia da fuga do “macaco Otelo” que “come fruta e foge à GNR”. Desconheço se já foi apanhado e regressou à sua prisão.

Mas, se fugiu é porque estava preso e não gostava do lugar onde vivia. Se estava preso deve ter cometido um crime pelo qual está a ser efetivamente castigado. Será que o “Otelo” merece tal destino? O nosso gozo sobrepõe-se ao direito do “Otelo”: viver e morrer no seu meio natural.

A questão da “prisão e fuga” de um macaco de 30 anos levanta várias questões, desde a segurança, ética e objetivos de todos os zoos onde estes animais estão presos. Próximo da Figueira existe um negócio deste tipo, tendo para exibição vários animais exóticos: tigres, macacos, porcos do Vietname, etc.

Os proprietários dos zoos aproveitam a curiosidade, e alguma ingenuidade humana, para ganhar dinheiro em nada contribuindo para a preservação das espécies -“Olha que giro, um tigre!”. Quantos tigres morreram no processo de captura e transporte? Em que medida a valorização do tigre enquanto mercadoria contribui para a caça furtiva e a sua extinção? Restam 3.200 tigres dos 103.000 existentes há cem anos, eliminaram-se 97%.

Em Portugal sentimos pouca empatia pelos animais. Desde logo, pouca gente pensa no sofrimento dos nossos “amigos” cães que são acorrentados, ou enjaulados, uma vida inteira. Centenas de milhares de bichos sofrem diariamente a tortura da solidão, do convívio com as suas próprias fezes e parasitas, sem sequer poder “dar uma corrida”. Esta é uma imagem negativa do país da qual nos deveríamos envergonhar.

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