Opinião – Coração, cabeça e estômago

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ANTONIO MENANO

António Augusto Menano

Quando os seres humanos começaram a conhecer-se tiveram mais compreensão de si próprios. Há mais de seis mil anos apareceram as cidades, inicialmente na Mesopotâmia, depois no Egito, na China, na Índia, em Creta.

O Homem apareceu em oposição ao mundo natural, e começou a destruir o existente, para fazer maior, mais durável, mais adaptável ao clima, por razões de conquista e domínio, e estávamos lançados na senda dita civilizacional, a técnica, as novas técnicas, o comércio, as descobertas, as guerras, as revoluções, por aí fora.

A cidade deu o seu lugar ao país, a globalização tentou acabar com o isolacionismo, mas o individualismo, o egoísmo continuaram triunfantes, a escuridão mesmo feita de muita luz vai cegando, a bomba atómica, existe. Mas a vida ensina-nos a não temer a morte, pois a terra ressuscita sempre, depois da tempestade vem a bonança.

Todos os infernos têm saídas de emergência, e apesar de estarem cheios de boas intenções, e nem só de quinhões a pagar e a receber, não precisamos de nenhuma tenebrosa epifania para ficarmos tentados a desistir. O ser humano é feito de “coração, cabeça e estômago”, como escreveu Camilo Castelo Branco. Vamos doseá-los.

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