Opinião – Confiança, motivação

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LUCILIO CARVALHEIROLucílio Carvalheiro

Eu sei, nós sabemos que vivemos uma crise profunda. Crise financeira, crise económica, crise política. Mas então toda esta crise, instalada no país, vai ao ponto de se haver esgotado toda a dignidade humana – que é, sempre, política? Recuso-me a acreditá-lo.

Ora, na vacatura de um rumo de confiança, respeito, motivação,logo surge a ideia de se recorrer a habilidades e expedientes, pelo poder político, com o intuito de nos enganar, como se fossemos ingénuos. Não sei de qualquer política séria com tais características. É o caso da actual situação? Evidentemente, sim.

Por outro lado eu diria o seguinte: uma coisa é a luta partidária que se destina a realizar um projecto que se enquadra num plano de desenvolvimento, isto é, um objectivo que traduz uma iniciativa governativa e corre um risco – é da essência de qualquer política poder vir a falhar, sendo que: uma política só será correcta se obtiver sucesso; o mesmo é dizer que jamais se deverá tentar uma política sobre a qual tenhamos a certeza antecipada de que falhará.

Precisamente. Dado o caos político com que estamos confrontados, julgo justo e exacto afirmar que, sem prejuízo das convicções políticas de cada um, é o tempo de compreendermos, aperceber-mo-nos do que se está a passar, enredados que estamos num logro colossal, e evitarmos que se perpetue.

Repito, por isso, que me parece conveniente examinar-se, amplamente, o problema da confiança, do respeito, da Motivação, que devem estar ligados à “coisa pública”, e isto com a maior urgência para não nos encontrarmos perante realidades novas e porventura irreversíveis. Assim:

a) Troika. Eivada, exclusivamente, de espírito de monopólio orçamental, a sua “obra” sempre esteve errada. Era previsível (sempre o disse, neste Diário, desde a primeira hora) porque não se via, no memorando, alguma largueza de “vistas sociais”, aquela superioridade de ânimo (confiança), aquela generosidade de motivação que, sem esta “argamassa”, dita fracasso.

b) Pós-Troika. Outra qualquer coisa do género, mas com regras sensatas, será, terá que ser bem-vinda. É que iludir-mo-nos com a tão apregoada ida aos “mercados” é atacar o problema, adicionando um problema maior. Permito-me insistir neste ponto. O problema parece-me de muito interesse porque, para manter este princípio, temos de olhar para a sua execução e consequências. Se atendermos aos dados macro, sendo irrealista pensar que se alterarão, substancialmente, em sentido positivo num ano – 127% do PIB em dívida soberana, desemprego na casa dos 20%, 99 % do crédito bancário absorvido por 1.000 das 367.000 empresas – a cotação da República continuará a ser considerada “lixo” pelas agências de notação o que, pela certa, toda e qualquer colocação de títulos de divida no “mercado aberto” não se realizará sem preço de juros altíssimos.

De resto, portanto, este discurso da ida ao “mercados” sem o “chapéu” da troika, ou coisa que a substitua, só pode ser considerada uma política demagógica inconsiderada.

Em suma: Como a comunicação política dos partidos da área da governação (PS, PSD) sempre defendi a bipolarização político-partidária para as eleições legislativas – é precária e difícil, ignoro se não dão por nada ou fingem não dar, e daí pensar não advirem estragos tão sérios: é essa a aparência imediata que dão ao eleitorado. Continuam errados. Não geram confiança, respeito, Motivação da sociedade em geral e, assim, não sairemos do pântano, pois é no pântano político que nos encontramos: pântano, pântano, pântano.

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