Opinião – Coisas estranhas

Posted by

J. PEDROSO DE LIMAJoão José Pedroso de Lima

Podem acontecer as coisas mais estranhas. É um frase que ouvimos, em geral aplicada a factos surpreendentes, quasi sempre passados com outras pessoas.

Talvez haja uma conjugação de convergências de diversa natureza que aumentem a chance de ocorrerem certos acontecimentos, ou então é mesmo só uma questão de probabilidade, mas que nos acontecem coisas estranhas, por vezes, é um facto.

Dentre os diversos casos ocorridos comigo, ou na minha presença, distingo dois que, pelo seu cómico e improbabilidade, ainda hoje me fazem rir.

Numa viagem que fiz de carro, com a minha mulher, até Glasgow, onde tinha de estar num congresso na área da minha especialidade, decidimos ir uns dias antes para estarmos com uns amigos ingleses. Iríamos ficar na Região dos Lagos, num hotel isolado, que eles conheciam muito bem.

Tudo decorria na perfeição quando descobri que me tinha esquecido de meter na mala uma gravata que iria precisar em diversas ocasiões, no congresso. Resolvemos ir todos a uma aldeia próxima comprar a gravata e aproveitaríamos passar por um miradouro famoso, situado próximo.

Na aldeia, só eu saí do carro, fiz a minha compra num salto e seguimos para o miradouro.

Quando chegámos, a esposa do meu amigo pediu para eu lhe mostrar a gravata. Saí do carro com o envelope que a continha e, quando ela se aproximou, puxei a gravata uns centímetros para fora, para ela ver. Era de seda, de um azul forte com riscas brancas. “It’s very nice, Joe!” disse ela e, nesse instante, pim, cai uma caganeta de pássaro sobre o azul forte da minha gravata de seda!

No meio de um deserto, um pássaro lá nas alturas, alivia-se para aqueles, quê?, dez centímetros quadrados, da minha gravatinha nova!

Os meus amigos ainda hoje me falam na pontaria dos pássaros escoceses!

A segunda situação é algo caricata e ocorreu quando almoçávamos com um grupo de amigos. Estávamos a comer um belo prato de peixe que incluía batatas e feijão verde cozido, quando se iniciou uma azeda altercação entre os dois elementos de um dos casais. Ele engenheiro defendia o interesse da construção de determinada barragem, ela ecologista tinha argumentos poderosos de defesa do ambiente, completamente contrários.

As vozes subiam de tom e ninguém conseguia parar aquilo, que parecia mesmo sério.

A certa altura, no auge da discussão a senhora tem um forte acesso de tosse, que não pára e, de repente quando, sôfrega, quer retomar a sua argumentação…começa a sair-lhe um feijão verde pelo nariz. O marido desata a rir e a gargalhada é geral. A discussão esvaziou-se com as gargalhadas de todos e as pancadinhas nas costas da jovem senhora. O marido ainda disse, mas com simpatia: – A minha mulher é tão ecologista que até respira feijão verde!

One Comment

  1. José Luís Peixoto says:

    Pois é caro Professor. Calha aqui dizer que há bruxas; pois há coisas que até parecem bruxedo. Diz-se que não… que não há bruxas mas que as há, há (ou assim parece) .

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*