Opinião – Quo Vadis, Académica/OAF?

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LUCILIO CARVALHEIROLucílio Carvalheiro

Calar é eliminar a liberdade de dizer. O “laissez faire, laissez passer” é escolher “uma segurança parecida com a corda do enforcado”. É a aceitação de um qualquer despotismo.

Acontece que factos são factos e os factos não se discutem – constatam-se. Vamos, então, aos factos: 1 – Os sócios da Académica foram convocados para escolher um modelo de gestão – SAD ou SDUQ. 2 – A escolha do modelo de gestão, por voto secreto, não configurava nenhuma eleição, nem, tão-pouco, “avaliação” do desempenho dos Órgãos Sociais em exercício de funções. 3 – O modelo de gestão SDUQ obteve vencimento – maior dos votos expressos.

Mas houve outras coisas. E é “por dentro das coisas que as coisas são”. Assim: a) A Direcção

(colectivo) não defendeu, não aconselhou, não propôs o modelo SAD. Na verdade, se o tivesse feito, o documento vindo a público seria por ela subscrito e “chancelado” pela assinatura do Presidente; aconteceu o contrário: um sócio assinou o documento e usou o título do exercício do cargo directivo no sentido de o dotar de uma pretensão; uma subtileza que afronta um princípio elementar, qual seja: “Honrar a função, não se servir da função”. b) O mesmo se verificou em publicidade paga, num só único diário, o que realça que o título “Comunicado da Direcção” não era nenhum comunicado oficial com direito a ser amplamente difundido. c) A Mesa da Assembleia-Geral, o Conselho Fiscal, a Direcção, “aos costumes disseram – nada”, pior, permitiram que fosse impresso no boletim de voto uma afirmação falaciosa, enganadora, sabendo que poderia influenciar o sentido do voto. Deveriam, pois, ensinar, corrigir, impedir, que tal “marosca” tivesse visto a luz-do-dia.

Pois bem. Todos sabemos que quando fazemos uma escolha, não há nada, nela, que seja um presente gratuito. A escolha tem sempre um preço.

Ora, as pobres palavras a serem constantemente abusadas pelo Sr. Presidente da Direcção, cansadas dos abusos empertigaram-se. Apresentaram um preço nas “urnas de voto”: A derrota pessoal, porque assim o quis, enunciou, anunciou, enfatizou, de forma deliberada e consciente, obriga-o a pagar o preço acordado – a renúncia ao cargo de Presidente da Direcção; acto que não coloca em causa, necessariamente, a continuação em funções de todos os Órgãos Sociais, nomeadamente, da Direcção.

Precisamente. O verbo eu, não tem nenhuma forma que sirva para uma espécie de oração em “mesquita de Ayotollah”. Contudo, não nos iludamos. Ao poder sem ética não pode sempre responder-se com êxito. Mas podemos guardar a dignidade e deixar-lhe o privilégio da pantomina.

 

ADENDA: Para que não haja alguma leitura distorcida. Não catalogo, nem me insurjo contra, quer que seja das personalidades que compõem os Órgãos Sociais da AAC-OAF, enquanto pessoas – que respeito; mas contesto, veemente, a forma e os métodos utilizados nas funções que desempenham.

 

2 Comments

  1. A. Matos Godinho says:

    Concordo em absoluto.
    Entre as diversas bizarrias do processo a mais chocante foi, sem dúvida, a de um boletim de voto "com recado" do presidente.
    Um detalhe: se as posições e estratagemas do presidente não vinculam a direcção, então das duas uma: ou ele se demite ao ter apostado o seu cargo e ter perdido em toda a linha, ou toda a restante direcção se demite demarcando-se dos métodos e atitudes do presidente.
    Manterem-se todos em funções parece-me um voto de confiança no presidente e assim, perante os resultados da sondagem, só têm um caminho: marcar eleições.

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