Opinião – Traços do passado

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MAFALDA AZENHA

Mafalda Azenha

Transformar locais com muito peso histórico não é fácil. É preciso ter uma grande dose de responsabilidade, com audácia e criatividade que permitam preservar a memória daquilo que não deve ser apagado. De vez em quando tenho o prazer de verificar que temos na Figueira gente com essas características e fico contente quando todos podemos beneficiar com isso.

Este fim de semana visitei a “nova” Casa Havanesa. Aqueles que são da minha geração lembram-se de ficar deslumbrados com a máquina de moedas com marionetas que havia ali em frente e que acabou por dar lugar aos carrinhos. E, mais velhos, embora possamos nunca ter sido clientes habituais, todos nos lembramos de que a montra da livraria, se não era ponto de encontro, era local de passagem e observação obrigatória.

É verdade que o tempo ditou o seu encerramento mas, pelo que vi, não ditou o fim daquele espaço tão característico. Não é a mesma coisa, claro que não. Mas se não estava a funcionar, também não podemos ser adeptos do imobilismo. Importante é que de um espaço histórico, atrativo mas com pouco movimento, foi criada uma nova oferta de lazer na Figueira, que ganha não só pela oferta diferenciada mas também porque esteticamente o espaço incorpora a arquitetura do passado na utilidade que tem no presente, criando um ambiente com inteiro respeito pelo misticismo do histórico e pela memória da cidade. Infelizmente, o mesmo não aconteceu há uns anos com o Café Nicola, bem ali ao lado…

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