Opinião – Porque vão os países à falência

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Aires Antunes Diniz

Há poucos dias todos fomos surpreendidos pela súbita decisão de taxar os capitais depositados nos bancos cipriotas gregos, contrariando todas as regras do capitalismo pois cá pelas nossas bandas quase só ataca os trabalhadores e pensionistas. Mostrava assim o Euro-Grupo a falência financeira de Chipre e, ainda, a falta de capacidade deste pequeno país de tapar os buracos deste paraíso fiscal transformado em inferno. A medida tomada expressa a fragilidade da economia que, contudo, tem ainda alguns recursos naturais valiosos que os russos, via Gazprom, querem como garantia de um empréstimo, a exclusividade dos direitos de exploração do gás e petróleo.

Mas, nós, como sempre continuamos a usar mal os nossos recursos, esquecendo-os sempre tal como em 1850, “em Sesimbra, ao sul do Tejo, existe um depósito de gesso, que pertence ao terreno subcretácio e, segundo a notícia que o meu colega, o Sr. Dr. Costa, teve a bondade de me fornecer, existem ainda outros depósitos da mesma substância em Portugal, um em S. Pedro de Moel, no grés e marnas betuminosas de terreno subcretácio, e outro nas proximidades de Coimbra”.1

Ao mesmo tempo, economistas de nomeada preocupam-se em mostrar como o mercado e a democracia são meio caminho andado para a prosperidade das nações, dividindo-as, como fazem Daron Acemoglu e James Robinson em “Porque falham as nações”, do Círculo de Leitores, em nações inclusivas e extrativas. Estas últimas são as que têm uma estrutura política que canaliza “automaticamente” para os mais poderosos sempre a maior parte da riqueza. Infelizmente, por razões ideológicas, dizem que estas são sempre as nações com uma ditadura e esta quase sempre comunista, mostrando-se doentia a vontade de atacar o modelo político seguido e construído por Hugo Chaves.

Contudo, se observarmos bem, o modelo, agora em falência na União Europeia e nos Estados Unidos, é o resultado de um modelo financeiro preparado para, através dos paraísos fiscais, canalizar para os mais ricos lucros que não pagam impostos, fazendo da economia europeia uma economia extrativa apesar da organização “democrática” do Estado. Fica assim refutada sem grande esforço a teoria económica construída por estes dois senhores.

Refazendo-a de acordo com o real que vivemos, conseguiremos explicar a falência da União Europeia pela simples razão de esta ter deixado de prosseguir o ideal da coesão económica e social, para se tornar extrativa da riqueza dos povos em favor de um sistema bancária desregulado e fraudulento, tornando simples a solução se aceitarmos como estruturantes da economia o trabalho, a honestidade e a justiça.

Infelizmente, existe quem justifique como inevitável a continuação da fraude e a extração da riqueza, que os que trabalham produzem, a favor dos senhores do mundo.

Pura mistificação. Vemos.

1 PIMENTEL, Júlio Máximo de Oliveira ( 1850 -1852 ) – Lições de Química Geral e suas pncipais aplicações, Tomo II, Lisboa, Em casa de J. P. Lavado, p. 158.

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