Opinião – Valor em saúde

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Foto Gonçalo Manuel Martins

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Fernando J. Regateiro

Face à carência de recursos financeiros, a sociedade e os decisores políticos estão confrontados com a necessidade de fazerem escolhas em termos de rubricas e níveis de cobertura a considerar no Orçamento de Estado. O elevado peso da despesa com a saúde torna-a num alvo apetecido para responsáveis políticos desatentos às consequências nefastas que cortes excessivos podem gerar, inclusive na retoma da economia.

Assim, cabe demonstrar que a despesa em saúde é um investimento com elevado retorno, não sendo de menor valia a qualidade de vida, o sentimento de segurança, o potencial acrescido de produtividade e a legitimação do Estado.

Se os argumentos anteriores não colherem, deverão ser escutados os cidadãos. Por extensão do sentimento de outros povos e em termos de “value for money”, a generalidade dos cidadãos há-de privilegiar a despesa pública em saúde, em detrimento de outras áreas, por atribuir à saúde um valor superior ao de outros bens.

A qualidade em saúde é um pilar da eficiência que a incorporação de inovação tecnológica e terapêutica na prática clínica alimenta.

Mas, a inovação tecnológica e terapêutica representa entre 27 e 48% do aumento de custos com a saúde! Sem mais, seria uma via a evitar. Contudo, aquela serve a Medicina e os prementes propósitos de poupança.

Explicitemos algumas das vantagens que decorrem da inovação: possibilidade de tratar doenças que não tinham tratamento, maior rapidez e eficácia da cura, do tratamento, ou do alívio do doente, redução dos riscos das intervenções diagnósticas e terapêuticas, melhor qualidade de vida durante os tratamentos por simplificação dos regimes terapêuticos e atenuação de efeitos adversos, ganhos em anos de vida e em qualidade de vida, melhoria da produtividade em geral e da poupança das famílias por redução da morbilidade, do número de deslocações às unidades de saúde e do peso do seguimento.

Os benefícios da inovação em saúde ultrapassam, frequentemente, os custos que geram, mesmo considerando apenas o aumento de anos de vida que induzem.

Um estudo de 2004, por uma equipa titulada por Keenan, demonstrou que, para um valor estimado de 100.000 dólares por cada ano de vida ganho em consequência de tratamentos inovadores, a razão benefício/custo era de 4 para 1, na doença cardiovascular, de 7 para 1 no enfarte do miocárdio e de 6 para 1 em recém-nascidos de baixo peso.

Um estudo de 2000, feito para o Senado dos EUA, tornou claro que a inovação representada pela vacina contra a poliomielite, com subsequente erradicação da doença, significa uma poupança anual de 30 biliões de dólares.

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