Opinião – Política: dizes tu ou digo eu?

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LUCÍLIO CARVALHEIROLucílio Carvalheiro

Há abusos acumulados que importa reprimir. Impõem-se medidas duras, portanto; mas temos que ter a noção que só com elas nos salvaremos da catástrofe económica, financeira, social.

Há que perguntar: na nossa condição temos direito a uma melhoria de vida? a mais ou melhor instrução? a mais ou melhor saúde? Eu respondo, sem rodeios: reputo tudo isso imprescindível e temos de o conseguir.

E cumpre ser claro: só o conseguiremos se tivermos um Estado forte, sem ser violento. Decerto, é o poder político que precisa de se salvar a si mesmo. A atmosfera moral da confiança nos políticos é indispensável à solução de todos os problemas e não só do problema financeiro.

E por isso, haverá que se dizer que o problema financeiro do país não se resolverá com as aldrabices propaladas pela classe política existente, a dos “formatados” que não são homens inteligentes e saber, e a dos espertos que são tacanhos, quando afirmam que a redução do deficite do Estado, para valores aconselháveis, se fará em um ou dois anos, quando deveriam saber que tal não será possível – nunca menos de cinco anos.; também deveriam saber (sabem) que o pagamento dos empréstimos, já conseguidos, só poderá ser feito por novos empréstimos, sendo erro crasso não os renegociar para um prazo de maturação superior a quinze, vinte anos; também sabem que mentem negando a evidência de se ter que obter, de imediato, um novo e avultado empréstimo externo- o Tesouro do Estado está exaurido.

Repito, é indispensável, a muitíssimo curto prazo, um largo empréstimo externo, que se bem aplicado e nas condições atrás descritas – maiores prazos de maturação e maior flexibilidade impositiva (deficite orçamental) – apressará a restauração financeira do país; permitirá a redução significativa de impostos às famílias com rendimentos inferiores a 1.500,00 euros, a subida do salário mínimo nacional, ou seja, só estes dois itens, induziriam mais massa monetária em circulação, mais consumo interno, mais depósitos bancários, mais ressurgimento de empresas produtivas, mais emprego e… mais receita fiscal.

Não obstante, não nos iludamos, os possíveis emprestadores quererão ter garantias de que seremos bons “gestores” do dinheiro emprestado e quererão saber como o iremos aplicar. A resposta, a dar-lhes, terá que ser tão convincente quanto a que nós próprios a temos: Somos um país exíguo em território e população, pelo que iremos adoptar uma fórmula de equilíbrio democrático ajustado. Desde logo: deputados eleitos em listas uninominais para a Câmara Alta (50); deputados eleitos em listas partidárias para a Câmara baixa (110); presidentes das Câmaras Municipais nomeados pelo Governo; Juntas de Freguesia eleitos em lista uninominal – democracia participativa.

Na realidade a resolução do nosso problema, é político e técnico; a política dita o objectivo a atingir, a técnica dita os meios e a organização. Temos que procurar uma proporção bem definida entre o pessoal político e aparentado (assessores) e o custo material, para que se obtenha um máximo rendimento com um mínimo de custo: de outro modo continuaremos a delapidar os recursos financeiros nos enxames de pessoal parasitário, albergados em tudo o que é organismo do Estado Central e Local, o que ofende o mínimo, do mínimo, bom-senso de gestão do serviço público.

Por outro lado, igualmente importante, é limitar a acção do Estado à sua função e razão de ser: o Estado terá que zelar pelo equilíbrio da sociedade – regulando-a, mas deixando-a desenvolver-se económica e socialmente, sem se perturbar em a invadir, como o tem feito, abusivamente, demonstrando ser um Estado fraco, mas violento.

Certo, bem certo, é que o cidadão-comum tem sido o joguete e vitima da mentira política, das suas facções, de grupos de classes profissionais, de engrenagens sindicais, e o Estado não lhe tem assegurado a legitima defesa usando o princípio da autoridade, minado que está pela pulverização de centros de poder administrativo.

Menos Estado concordo, mais autoridade,sem violência, do Estado é o que qualquer cidadão exige.

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