Opinião – O regressado Sócrates

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Aires-Diniz

Aires Antunes Diniz

Surgiu há dias como astro da lusa televisão o estudante de Paris, que já foi estudante em Coimbra, tal como “ o Camilo de Novaes, um favo de esperanças da diplomacia portuguesa, bacharel em Direito por Coimbra, atual secretário da legação por parentela política, sócio da mocidade Católica e do Sporting Club de Lisboa, antigo frequentador de S. Carlos, de S. Bento, e de S. Luís de França, alternadamente conservador ou progressista, conforme o vento, declarou, com sumptuosidade, discordar do visconde.”

E ele veio para discordar de Cavaco Silva, acusando-o de o ter desapossado do poder para o entregar a Coelho, Passos Pedro, agora animal feroz em sua vez, como se os dois fossem melhores do que quaisquer outros que, na Europa e pelo mundo todo, vendem os seus países a quem der menos. Apesar de tudo o que já sabemos dele, regressou por a narrativa que fazem dos seus feitos estar desfocada, mal feita ou perversamente feita por culpa de todos e de mais alguns, que já morreram carentes de cuidados médicos e outros. Nada contou dos seus êxitos escolares na escola de ciências políticas de Paris, nem se queixou dos custos das propinas desta escola cara e em desequilíbrio financeiro. Nem dos êxitos dos seus professores. Apenas falou de Cavaco. Dizem. Eu não ouvi.

Estava em viagem de regresso de um Arquivo Histórico, onde desapareceram documentos para que a história a narrar fosse a dos vencedores. Também em muitas escolas intervencionadas pela sua criação dileta: a Parque Escolar, desapareceram muitos documentos numa gestão desastrada que convinha começasse a explicar. Também devia explicar como entregou a gestão do processo de transferência da televisão para a TDT. Não se devia esquecer de narrar as razões esconsas que levaram à aplicação de portagens no interior que conhece bem pois por lá viveu…E já agora que disse que o memorando da Troika não tem muitas das malfeitorias que o sucessor “imposto” por Cavaco Silva nos aplica “num custe o que custar”, defendido pelo banqueiro “ai aguenta, aguenta” e desejado ansiosamente pelos outros mestres de finanças, devia publicar a “versão fidedigna” que diz ser verdadeira. Serviria para que cada um de nós pudesse ajuizar com verdade sobre a verdadeira narrativa da presente história trágica de Portugal.

Claro que não esperamos que nos explique as páginas do projeto educativo da Escola Parisiense, onde esteve até agora, só queremos que mostre que no seu íntimo integrou a honestidade intelectual como parte comum de todos os alunos desta escola. E nos conte com verdade as partes esconsas e delapidadoras do património nacional dos governos que liderou ou em que participou.

1 – Caiel (Alice Pestana) – Desgarrada, Parceria A. M. Pereira, Lisboa, 1902, pp. 187-188.

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