Bloco de Esquerda diz que Governo não tem estratégia para a indústria naval

Arquivo - Jot'Alves

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A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Ana Drago acusou esta segunda-feira o Governo de não possuir uma estratégia para a indústria naval portuguesa, à margem de uma visita aos Estaleiros Navais do Mondego (ENM).

“O Governo não tem estratégia, é isso que é assustador. Nós somos um país que tem condições naturais, capacidade instalada e conhecimento no terreno para ter uma atividade no âmbito dos estaleiros navais bastante alargada e até promissora para o futuro”, disse Ana Drago à agência Lusa.

Questionada sobre a visita aos ENM, nomeadamente sobre a viabilidade da empresa e manutenção da atividade, a deputada do BE revelou-se “muito cautelosa”.

“Aquilo que nos interessa essencialmente é manter postos de trabalho e manter os estaleiros do Mondego a funcionar. Devem ser encontradas soluções que sejam viáveis, que não sejam fracas e queremos saber o que é que o ministério da Economia e um ministro que anda sempre a dizer que defende uma política industrial para o país está a fazer para manter a indústria que temos”, sublinhou.

“Temos um ministro que faz publicidade, mas que no momento da verdade não é capaz de ter uma estratégia para o setor naval”, acrescentou.

Sobre a eventualidade de poderem vir a existir encomendas partilhadas ou colaboração entre os estaleiros de Viana do Castelo e os do Mondego na construção de navios asfalteiros para a Venezuela, Ana Drago disse que essa é uma estratégia “que tem de ser pensada”.

“Tem de ser uma estratégia que integre os vários saberes e varias áreas regionais que dependem deste tipo de investimento industrial para continuarem a produzir”, defendeu.

Sobre o mesmo tema, Carlos Costa, administrador da Atlanticeagle Shipbuilding, empresa que detém a concessão dos ENM, considerou que será uma opção “interessante e possível”.

Embora ressalvando que os estaleiros de Viana do Castelo possuem uma dimensão “que ultrapassa a dimensão do Mondego ou de qualquer outro estaleiro em Portugal”, pelo que não seria possível construir uma embarcação de raiz nos ENM, aquele responsável avançou que “partes dos navios” poderiam ser construídas na Figueira da Foz.

“E nós ainda temos essa esperança que isso venha a acontecer, se, de facto, os estaleiros de Viana entenderem que necessitam da cooperação e ajuda de outros estaleiros. Tanto Peniche como o Mondego poderiam estar em condições de colaborar com os estaleiros de Viana do Castelo nesses navios”, indicou.

 

Texto Agência Lusa

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