Região de Aveiro com maioria das zonas industriais subaproveitadas

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Num raio de 20 quilómetros, a partir da cidade de Aveiro, existem 30 zonas industriais, na maioria subaproveitadas, revela um levantamento hoje divulgado pelo Coletivo de Intervenção na Defesa dos Interesses dos Habitantes da Coutada (CIDHC).

O levantamento foi efetuado por aquela organização para defender que existem alternativas à localização do parque de Ciência e Inovação (PCI) previsto para terrenos de aptidão agrícola entre os concelhos de Aveiro e Ílhavo.

O Parque da Ciência e Inovação vai ser gerido por uma sociedade anónima, formalizada pela Universidade de Aveiro, 11 municípios da região e empresas, envolvendo um investimento da ordem dos 35 milhões de euros, dos quais 80% com financiamento europeu.

O novo espaço irá compreender três polos nas áreas da ciência, experimentação e empresarial, permitindo a instalação de empresas de base tecnológica, sendo o projeto liderado pela Universidade de Aveiro.

Para o Coletivo da Coutada, a solução devia passar pela reconversão e requalificação de um dos muitos espaços industriais existentes na zona do Baixo Vouga, dando como exemplo o sucesso do Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (TECNOPUC), em Porto Alegre, no Brasil.

Os 5,4 hectares do TECNOPUC foram adquiridos ao Exército Brasileiro em 2001 e as suas antigas instalações foram reformadas, “adequando-as às necessidades das modernas operações de pesquisa e desenvolvimento das empresas parceiras da Universidade”.

Segundo o levantamento feito por aquele movimento de cidadãos, com base em dados de entidades responsáveis pela gestão dos parques, recolhidos em visitas aos locais e junto de trabalhadores e empresas, “praticamente todos os concelhos do distrito de Aveiro têm, pelo menos, um parque industrial e alguns, como Águeda, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga ou Vagos, possuem mesmo três ou mais zonas industriais”.

A conclusão é que existem assimetrias e uma oferta excessiva e desarticulada, atendendo à relação área do concelho/área industrial ou ainda à comparação entre o número de habitantes do concelho e a população empregada.

“Se há zonas industriais situadas em terrenos florestais e afins, também se registam casos em que aquelas se implantam à custa de solos agrícolas produtivos e mesmo do próprio tecido urbano”, e “neste momento, a qualidade paisagística é a que mais tem decaído devido ao encerramento de fábricas e empresas”.

Os parques industriais com ocupação plena são a exceção, como é o caso da Murtosa ou da zona industrial de Vila Verde, em Oliveira do Bairro, mas a maioria tem taxas de ocupação entre os 50 e os 60% e só foram possíveis através do financiamento de fundos comunitários.

“Num número considerável de parques visitados havia infraestruturas preparadas e lotes aprontados para venda à espera de ocupação. Outros têm pavilhões e naves industriais ainda em bom estado de conservação para venda ou aluguer. Há parques com infraestruturas ainda por concluir, ao passo que outras zonas estavam abandonadas, com edifícios devolutos ou mesmo degradados”, descreve o levantamento.

Muitos planos de investimento apenas tiveram em conta a sustentabilidade à data de início de funcionamento do projeto, descurando as despesas de conservação e de exploração. Muitas das situações devem-se essencialmente à falta de capacidade financeira das entidades promotoras dos projetos de parques, as autarquias na maior parte.

“Parece lógico que, antes de se pensar em novos projetos, se procure dar uma solução às zonas industriais existentes que se apresentam com taxas de ocupação muito reduzida e em vias de degradação: a requalificação, reutilização e reconversão” conclui o Coletivo de Intervenção na Defesa dos Interesses dos Habitantes da Coutada.

 

Autor: Agência Lusa

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