Opinião – Muitos são os problemas

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Aires DinizAires Antunes Diniz

Notamos nos que se cruzam connosco uma tristeza infinda que, por vezes, nos contam quando temos tempo para conversar. Se são idosos logo nos falam das reformas escassas, tornadas agora mais escassas por cortes cegos com os habituais argumentos estapafúrdios da governação. Se jovens, falam-nos das dificuldades de acederem ao emprego ou do desemprego recente. Os de meia-idade falam-nos agora dos trabalhos difíceis que realizam e da sobrecarga de horas, de mobilidade especiais e de tantas coisas, que lhes tornam penoso e preocupante o viver, quando tudo antes lhes parecia ultrapassado como dificuldade. Sentem-se até desterrados por ostracismo imerecido.

Neste vaivém de altos e baixos num ambiente de empobrecimento geral, tudo nos faz lembrar a guerra civil entre os que apossavam do poder e dos que eram dele arredados, como quando “de 1830 a 1831 teve lugar a primeira aparição de Bruschy na Universidade de Coimbra. Foi apenas uma passagem. As mudanças políticas levaram-nos em breve ao desterro, de que outros apenas regressavam.

Triste exemplo das inconstâncias da fortuna e ainda mais das deploráveis alternativas da guerra civil, que os triunfos para uns são infortúnios para outros.”1

Agora vivemos o tempo de destruição de empresas industriais e comerciais, de criação de mega-agrupamentos de escolas, de redução de serviços públicos, de encerramentos de centros de saúde, de empresas municipais, e tudo isto se faz a eito à ordem de uma troika que nada conhece. Mas, onde deteta “gastos” logo os tenta reduzir e a medida da redução é agora para as fundações é de 30%. Parece-me. Nas empresas municipais o número mágico é 50% de receitas como mínimo. E a isto obedecem os partidos do arco-do-poder, porque nada sabem e de nada quiseram saber quando empolaram os efetivos desta instituições e serviços com os seus vassalos, mas a quem nada disseram para fazer. Só os empregaram e prebendaram. Agora dão-lhes o infortúnio do desemprego, esperando que outros os defendam, enquanto os mais chegados ao poder se aquecem com os restos dos cavacos. Mas, numa qualquer incursão a estes serviços vemos gente que nada faz e a tudo diz que vai fazer, mas agora nada pode fazer pois não há condições. Pois o poder não lhas dá. Nem tem ideias para fazer o necessário com o pessoal a quem paga. Outros, que só fizeram asneira e malfeitorias, tentam apagar o rasto do seu passado. O que é natural, mas miserável.

Infelizmente, após o atraso enorme na recuperação de dívidas aos bancos intervencionados, vemos também atrasos indecorosos na aplicação de medidas que regulem e disciplinem tantos comportamentos desviantes.

Mas, todos já sabemos que são a origem dos nossos problemas coletivos e pessoais. E isso obriga-nos à cidadania ativa.

 

1 J. S. Mendes Leal Júnior – Manuel Maria da Silva Bruschy in Revista Contemporânea de Portugal e Brasil, 1859, 1º ano, 1859, p. 209

 

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