Opinião – Louvável iniciativa dos Gatos Urbanos

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MÁRIO NUNESMário Nunes

Inúmeras pessoas nos interrogam porque não abordamos temas políticos numa época em que abundam motivos e acontecimentos sobre o assunto e em que persiste a necessidade de denunciar os atropelos às leis, aos cidadãos e à sociedade, em geral. Atropelos que se tornam mais prementes, quando se ampliam a angústia, a desesperança e a injustiça na população portuguesa.

Não o fazemos, porque entendemos que a política é para os políticos, os que são políticos e não politiqueiros, porque estes “nascem e crescem” por subserviência, assemelhando-se a erva ruim que mata a seara se não for eliminada. E, porque na nossa cidade existem bons políticos que escrevem e, também, porque a nível nacional escrever sobre aquele tema é o pão – nosso de cada dia. Por outro lado, a comunicação social agrega tão avultado número de comentadores políticos, que quase se atropelam para dizer o mesmo por outras palavras, além de baterem sempre na mesma tecla. Ao ouvirmos, por exemplo, os comentários nos quatro canais, que diferença achamos na essência das análises? Por isso, nos quedamos, sobretudo, na cultura, no social, no humanístico, áreas em que há valores a respeitar, a criticar, louvar e informar, como sucedeu no sábado com a oportuna e louvável iniciativa do grupo dos “Gatos Urbanos”, onde pontifica o nosso ex-colega e amigo Dr. Jorge Gouveia Monteiro, ação que congregou na Casa da Cultura mais de uma centena de pessoas, com um peso significativo de jovens, cidadãos que souberam manifestar-se pela defesa e estima dos animais, incidindo propriamente nos gatos abandonados na cidade.

E, que valores humanos se desenharam naquele espaço cultural! Atitudes contra as ações das criaturas insensíveis e sem escrúpulos e da simbólica legislação que permite a violência e o desprezo pelos seres vivos. Participámos naquele debate e ouvimos encantadores relatos de amizade para com os animais. Voluntários que se obrigam por satisfação, trabalharem em prol dos mesmos. Uma missão que resulta da sua força educativa e do exemplo colhido nos membros de dezenas de associações, pois o ensino oficial praticamente aboliu este tema das aulas.

“Os Gatos Urbanos”, associação a formalizar, juridicamente, teve oferta de espaço para sede, e provou que Coimbra permanece ativa e que ao defender os títulos de cidade do conhecimento, da cultura e da saúde, se posiciona para a vanguarda de outra valência, protetora dos animais, realizando o primeiro encontro da cidade de Coimbra. Neste convívio agradável ouvimos inqualificáveis crimes contra os gatos, exemplo da Conchada em que mataram sem dó nem piedade 37 gatos; junto do Sousa Bastos alguém utiliza a paulada para os eliminar e outras atrocidades indignas do ser humano. No inverso registámos o amor de uma senhora para tratar de onze gatos, a persistência e coragem de uma senhora do hospital dos Covões que alterou o tratamento feito aos gatos e que formou um grupo de amigos que os protege e, ainda, de um cavalheiro que alimenta e coabita, sem posses, com cerca de cem gatos numa quinta da periferia.

Reforçamos o louvor pela iniciativa, pois permitiu unir e revelar sentimentos humanitários que diariamente salvam e tratam os gatos, desqualificando aqueles cidadãos sem sensibilidade, sem escrúpulos e egoístas, que desprezam, maltratam e matam seres inofensivos para seu prazer. Os políticos deveriam participar nestas manifestações de humanismo.

 

One Comment

  1. Gatos Urbanos says:

    Obrigado Mário Nunes. Que pena já não estares aqui.

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