Opinião – Governados por sábios alheios ao mundo real

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LUCÍLIO CARVALHEIROLucílio Carvalheiro

Victor Gaspar: Não foi eleito, foi escolhido. Aceitou ser ministro das Finanças em termos definidos por si. Máxima liberdade de acção, de escolha e de direcção. Seleccionou com cuidado os seus apoios: primeiro a Alemanha e a banca, capturando a ditadura financeira – O equilíbrio do Orçamento do Estado a todo o custo; concentração da potência financeira nas suas mãos, agravando os impostos directos e indirectos; agravada a contribuição predial IMI; criada a Contribuição Especial de Solidariedade CES; sequestro do rendimento disponível, 13 e 14º mês salarial dos trabalhadores, pensionistas e reformados.

Como sábio alheio ao mundo real não se sente autorizado a fazer declarações políticas sobre os problemas fundamentais: o económico, o social e o político, sem os quais não se resolverá o problema financeiro. Assim, o Orçamento do Estado fica apenas reduzido a um sinal de Administração tecnocrática e não a um indicador de uma política governativa.

Apenas uma demonstração do mundo real : subida continuada da dívida externa (já vai em 125% do PIB!!!); 18%, número oficial, de desempregados; recessão económica continuada, 3%. Estes dados convocam Victor Gaspar a ter o discernimento intelectual e o prestígio académico, suficiente, para apresentar um pedido de recompensa a todo o seu calvário: o regresso à vida privada.

Cavaco Silva: Como sábio alheio ao mundo real, escreve prefácios rotineiros ilustrando os seus estados-de-alma. Citando o Padre Vieira : é “quási que apenas pó” ou “pó levantado e muito em breve pó caído, mas sómente pó”. Enfermo político queixa-se do estômago e tem o mal no coração. A si próprio se apouca.

António José Seguro: Outro sábio que se equivale aos anteriores. Em forma singela e acaso hermética, representa um vasto programa político vazio. Esbarra, a cada dito, no vácuo da esperteza do “chico esperto”. Tem formação aparelhística partidária onde pouco importa a cultura política. Qual é a pressa? Qual é a pressa de saber se tem um pensamento de extrema-esquerda? Ou de extrema-direita? Ou de esquerda? Ou de direita? Ou do centro? Qual a pressa de saber? Simplesmente este homem nada possui para oferecer ao País. Não indica, coisa elementar, o processo por que se possa apurar e exprimir a vontade colectiva. Como diz o povo : no melhor pano – neste caso o Partido Socialista – caiu uma nódoa.

Decerto. Atendendo que somos “governados” por sábios alheios ao mundo real, não temos pão, não temos trabalho, não temos economia, não temos dinheiro. Não causará surpresa que o mundo real se pronuncie como verdadeira força nacional e não só as forças políticas, depauperadas que estão.

Mas um ponto haverá que se assumir com nitidez: o regime republicano, num sistema democrático, terá que ser preservado e, aqui sim, custe o que custar.

 

One Comment

  1. O mesmo acontece com o executivo de Coimbra,tambem não foi eleito pelo povo

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