Opinião – Chávez

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FERNANDO SERRASQUEIROFernando Serrasqueiro

Com a morte de Hugo Chávez temo que com ele vá uma ideia que materializou de um relacionamento exemplar com o país de que são oriundos alguns dos seus mais dinâmicos trabalhadores – Portugal.

Sempre procurou a melhoria das relações com o nosso país e por isso foi impulsionador dum acordo de parceria de característica idêntica à das trocas directas. Receberíamos crude e exportávamos produtos alimentares. Assim nasceu uma relação que não era só comercial era um entendimento que visava também salvaguardar os proveitos dos luso descendentes num país com problemas vários e ameaças frequentes.

Defender esses portugueses, que são mais de meio milhão, e favorecer a nossa balança de pagamentos era o que se visava. Facilmente se ultrapassaram os 17M€ iniciais de exportações para um valor dez vezes superior e agora em pleno desenvolvimento dos contractos então negociados poderemos multiplicar por 100 o valor inicial.

Primeiro exportamos produtos alimentares mas logo evoluímos na cadeia de valor para medicamentos, habitação, obras públicas, energia, cabos e equipamento eléctrico, contadores, materiais de construção, computadores, barcos, etc.

Este aprofundamento sempre foi um desejo sincero de Chávez e resulta duma boa amizade com Sócrates.

Recordo que nessa altura esta relação era criticada por quem está agora no governo porque só via nela um apoio político a um sistema próprio, mas que agora foram obrigados a rever quando confrontados com as vantagens que usufruímos. Longe vai o tempo em que um actual ministro escrevia no jornal “Sol” que o líder venezuelano “quer ser um presidente vitalício”, que é “um ditador anunciado e só não vê quem não quer”, que “prende opositores” e “fecha televisões”.

Foram os, cerca de 40, empresários portugueses, nas mais de duas dezenas de visitas que fizemos a Caracas, testemunhas das vantagens do acordo e também os luso venezuelanos assinalavam esse interesse por se considerarem mais protegidos.

Não podemos esquecer que os empresários portugueses a trabalhar na Venezuela dominam quase totalmente a panificação e são líderes na distribuição. A amizade de Chávez ao nosso país foi construída ao longo da sua vida no seu contacto com vizinhos e amigos oriundos de Portugal, a maioria da Madeira.

Fez quatro visitas oficiais ao nosso país mas pernoitou aqui muitas vezes porque gostava nas suas viagens à Europa fazer escala no nosso aeroporto militar de Figo Maduro e aproveitava a estadia para fazer o ponto de situação e desbloquear aquilo que estava a correr mais lentamente. Espero que preconceitos ideológicos não façam esmorecer a relação forte que agora existe. Num certo sentido, as minhas viagens frequentes à República Bolivariana e os contactos com El Comandante fizeram de mim um apreciador da pessoa de Hugo Chávez.

One Comment

  1. A vida é assim… Temos que nos dar com pessoas com qualidades e defeitos. Mas essa necessidade não paga os defeitos. E Chavez era realmente um populista que pregava que a ideologia era mais importante que a liberdade.

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