Opinião – Boa noite, Vitinho

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Paulo Almeida DRPaulo Almeida

As televisões encontraram um substituto à altura do Vitinho, os desenhos animados que foram transmitidos durante uma década em horário nobre para levar as crianças a deitarem-se mais cedo. As crianças de ontem são adultos de hoje e, em honra do dia Mundial do Sono celebrado na passada Sexta-feira, dia 15 de Março, o marco horário passou a ser Vitor Gaspar. Erroneamente a bem da saúde de todos nós e para melhorar a nossa qualidade de vida.

O maior adepto de Gaspar é o primeiro-ministro, seu fã da primeira hora. Quando confrontado com os números do desemprego acima dos 16%, Pedro Passos Coelho não hesitou em afirmar que dorme muito bem. Como são unha com carne, ninguém acredita que o adjunto Relvas seja sensível ao mesmo facto e que isso lhe tire o sono. É óbvio que nada lhe tira o sono. Já o maior opositor do novo Vitinho é Cavaco Silva, o rei da dormência, que saiu do estado de hibernação em que se encontrava com uma arma mortífera – o Prefácio. Disponível em http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=71658, é quase certo que já não esteja acordado ao segundo parágrafo.

Perante o altíssimo nível de eficácia destes dois João Pestana, versão presidente ou ministro, a discussão entre os analistas especialistas fica, assim, resumida a saber qual deles oferece o sono de melhor (leia-se, pior) qualidade. As opiniões dividem-se e os próprios esgrimem argumentos. Dono e senhor da inactividade que o ocupa durante as 10 horas do dia em que não dorme, o presidente apela a que se ouçam os manifestantes descontentes com Gaspar que, por seu lado, apresenta previsões que lhe atribuem um sucesso a rondar os 100%.

São, de facto, ambos exímios fornecedores de sono de má qualidade, aquele que nos faz sentir cansados e sonolentos durante o dia seguinte. Existem ainda consequências mais graves relacionadas com a saúde geral e o bem-estar. Vários estudos têm demonstrado que os distúrbios do sono contribuem para a diminuição da qualidade de vida e podem desencadear sintomas de depressão e ansiedade, tempo de reacção mais lento, problemas de memória, problemas com equilíbrio e risco aumentado para quedas e até mesmo a morte.

Gaspar e Cavaco preenchem todos estes pressupostos de cariz científico, pelo que a ambos devem ser atribuídos os Óscares de “adormecer seguro” e o de “pior sono possível”. Por isso as nossas vidas estão em suspenso, à espera de uma noite de sono descansado que nos permita não andar aos tropeções no dia seguinte.

 

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