Opinião – A despedida do grande Papa Bento XVI

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MANUEL AUGUSTO RODRIGUESManuel Augusto Rodrigues

Normalmente é a morte de um Papa que dá origem à chamada “Sede vacante” e ao subseguente conclave donde sai o novo Pontífice. Desta vez foi a resignação de Bento XVI, já quase na casa dos 86 anos, a desencadear esse processo. Aliás Bento XVI não havia excluído essa hipótese mais do uma vez. Renunciou num acto de coragem humilde e de sabedoria da fraqueza no passado dia 11 invocando motivos de saúde (diminuição das capacidades físicas e intelectuais).

Ergueram-se logo por toda a parte comentadores de todo o género a apresentar as mais diversas análises sobre as verdadeiras razões da saída de Bento XVI da cátedra de Pedro, o qual tendo dito que assim decidira em consciência perante Deus dera a melhor e única explicação que uma pessoa sensata pode esperar.

O que mais importa agora é avaliar o pontificado de Bento XVI pelo inestimável legado que deixa e de colher as preciosas lições que encerra. No dia da eleição em 2005 apresentou-se como “um simples trabalhador da vinha do Senhor”. Conhecia muito bem o terreno que ia pisar, dada a sua experiência romana desde 1981 e a convivência estreita com João Paulo II de quem foi o seu braço direito.

Governou a Igreja num tempo repleto de complexidades: ameaças permanentes à paz e à justiça por esse mundo fora; uma secularização galopante associada ao relativismo, em especial na Europa; a crise da pedofilia que ganhou proporções inimagináveis; os problemas com os tradicionalistas de Lefèvre e o caso dos Vatileaks; as questões no seio da Cúria e ajustada aplicação do Vaticano II; a discussão de diversos problemas teológicos e de ordem moral como os respeitantes à família, etc. etc. Como Papa as suas tarefas desdobravam-se pelo governo e promoção da Igreja e pela evangelização e anúncio da Fé, em si e nas suas relações com o mundo da ciência, da cultura e das civilizações. Do Evangelho projectado no Concílio Vaticano II extraia os ensinamentos e da Fé que o animava a força anímica para actuar sem receios ou hesitações.

Bento XVI afirmou-se com uma forte inteligência espiritual e uma acção altamente fecunda. Se por acaso não foi devidamente entendido agora, o tempo há-de-se encarregar de iluminar os homens, a começar pelos da Igreja que nem sempre souberam aproveitar os ensinamentos que foi transmitindo. Não é fácil avaliar em pormenor o desempenho do seu munus pastoral e as relações com a sociedade numa fase da história profundamente agitada pela confusão instalada e por preconceitos bem orquestrados.

O que iria na alma de Bento XVI, responsável máximo de uma Igreja dispersa pelos cinco continentes numa época de globalização acelerada e conturbada? A história alterou-se profundamente ao longo do séc. XX e a Igreja sempre procurou acompanhar o ritmo dos acontecimentos de que é exemplo o Concílio Vaticano II. Se nos conclaves do séc. XX não encontramos nenhum cardeal que não pertencesse aos continentes europeu ou americano, agora vemos que os há da Ásia, África e Oceânia.

O historiador dispõe de abundante material para poder julgar o pensamento do Papa Ratzinger que foi professor universitário e teólogo, padre do Vaticano II, arcebispo de Munique-Friesing e prefeito da Congregação para a defes da Fé, entre tantos cargos exercidos. Os grandes textos de Bento XVI são as encíclicas (“Deus caritas est” de 2005 sobre o amor cristão, “Spe salvi” de 2007 sobre a esperança cristã e “Caritas in veritate” de 2009 sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade. De lembrar as ricas mensagens para os dias mundiais da paz, os brilhantes e as célebres intervenções na Universidade de Ratisbona, no Colégio dos Bernardinos de Paris e no parlamento alemão em Berlim. Outros marcos significativos foram a iniciativa da Nova Evangelização, os sínodos dos bispos, o diálogo ecuménico e com as religiões não cristãs, as visitas pastorais a países de diversas áreas do globo, o Ano da Fé e as Jornadas da Juventude. Nos 16 tomos dos seus “ Opera omnia”, em publicação, poderemos saborear a valiosa herança deste incansável Pastor e Intelectual, humilde na coragem e sábio na debilidade.

One Comment

  1. O Mundo e a Igreja tiveram a honra de ter um papa do quilate de Bento XVI; um mestre da alta teologia, alta filosofia, conhecedor da Cultura Clássica e Humanística Universal, conhecedor da Historia , Geopolítica e Literatura Mundial, poliglota falando mais de 20 idiomas e dominando a maioria das linguas mãe como o grego, latim, aramaico, linguas eslavas e nórdicas, etc. O que dizer de sua saída senão : grande perda. Mas se olharmos bem vamos ver que estamos diante de um mundo que gerou uma massa, (particularmente o Ocidente), que parece que perdeu o uso da razão. não pensa mais ; apenas sentem. são uns torcedores. vivem de sensação. é como se o cérebro saísse da cabeça e viesse para a região genital. E jusamente Bento XVI quis trazer razão à fé para o o Mundo, mas este quer porcarias e o rejeitou. Temos uma geração ; uma massa humana egoísta, consumista, devoradora de tudo incluindo noticias e shows , e até a Mídia quis fazer de Bento XVI um papel de show e espetáculos para essa massa devassa. Mas Bento xvi mostrou que realmente tem a inteligencia de que faz fama e saiu por cima . desceu do palco , virou-lhes as costas e deixou essa massa amorfa devassa e infame a ficar vendo navios enquanto comem pipoca. O Mundo não mereceu Bento XVI. Que usem então o cérebro que tem para resolver seus problemas

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