Opinião – Novamente a banca

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FERNANDO SERRASQUEIRO

Fernando Serrasqueiro

Estiveram na origem desta crise. Os bancos, ao se assumirem como comerciais e cumulativamente de investimento, fizeram utilizações especulativas e detonaram ondas depressivas que ampliaram a crise inicial do subprime.

Sem capitais adequados para as aplicações que foram fazendo colocaram-se numa situação débil que obrigou a apoios públicos para se evitar uma crise sistémica.

No nosso caso a intervenção no BPN servia para defender os depositantes e outros bancos cuja onda de choque poderia ameaçar a sua vida.

Recentemente a Autoridade da Concorrência fez o maior raide de sempre por suspeitas de concertação de spreads e também de comissões bancárias, que como já aqui referi, representam 40% das suas receitas.

Agora surgem-nos notícias do Chipre que nos dizem que face ao volume de negócios bancários, com dimensão desmesurada, criaram um problema que foi transportado para o seu governo. Com a decisão alemã e dos seus súbditos europeus sobre a apropriação do património bancário dos depositantes, cria-se um precedente que soma incerteza à falta de confiança já existente no sistema bancário. A confiança é um pilar essencial para que se substitua o colchão pela agência do banco.

Esta crise já não é só da responsabilidade do sistema financeiro mas também é sobretudo o resultado da descoordenação, incapacidade e incompreensão da UE.

Merkel, na ausência de líderes europeus fortes, com poder fortemente alicerçado nos seus povos, tem conduzido, isoladamente, uma política que impõe um clima depressivo cada vez mais profundo.

O que se passa no Chipre é algo inusitado, ser punido pelos colegas europeus e procurar apoio na Rússia. Se a China segue o exemplo da Rússia, o desmantelamento da UE aproxima-se porque diferentes países questionam a razão de estar num espaço que não é solidário, sempre que a ele recorrem.

O desafio europeu está em causa e é cada vez maior a simpatia por discursos que propõem a saída do euro pondo em causa a solidez necessária ao aprofundamento da ideia duma europa forte, unida e solidária.

O nosso ministro das finanças, cada vez mais desgastado por ter perdido toda a credibilidade, não está em condições de nos confortar e até avoluma suspeitas, por muito que nos diga que não somos Chipre, porque já nos disse, antes, que não eramos a Grécia. Não transmite confiança quem já não a tem, porque nunca se sabe quando nos garante hoje que as medidas são suficientes não serão amanhã reforçadas e crescentadas.

Quando é que a Europa percebe a dimensão e a gravidade do que se está a passar?

 

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