Fio-de-Prumo: Shadow Banking

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LUÍS PARREIRÃO

Luís Parreirão

O Nouvel Observateur divulgou na passada semana declarações do Presidente do Directório do Banco Postal Francês que são, ao mesmo tempo, surpreendentes e preocupantes. Philipe Wahl, com a responsabilidade do cargo que ocupa e a da longa carreira que tem na banca internacional, disse, em síntese, o seguinte: Sabemos de onde virá a próxima crise e a questão é a de saber se agimos, ou não. Penso que esta crise virá da parte da indústria financeira chamada shadow banking, a parte menos regulada, menos taxada e que está em crescimento. Devemos preparar o futuro e ver de que forma podemos prevenir esta futura crise que será sistémica.

Confesso que perante declarações desta gravidade, proferidas numa conferência promovida pelo The Economist, a minha surpresa decorre da gravidade das questões em si mesmas, mas, sobretudo, da sua escassa repercussão no espaço mediático e da ausência de reacções ou comentários.

E de que falava aquele responsável bancário?

Na definição aceite pela UE, no seu Livro Verde sobre o assunto, de “um sistema de intermediação de crédito que envolve entidades e actividades exteriores ao sistema bancário normal”.

Do ponto de vista quantitativo, o Financial Stability Board estima que o montante dos activos geridos no quadro deste sistema bancário paralelo ascenda a cerca de cinquenta mil milhares de milhões de euros. Ou seja, um pouco mais que a soma dos PIB da UE, dos EUA, da China, da Índia e do Japão!

Simplificando, estamos a falar de um sistema bancário paralelo, assim designado pela UE, que escapa à regulação e supervisão, assume enorme importância para muitas empresas – basta lembrarmo-nos dos hedge funds, dos private equity, das titularizações de créditos ou das companhias de seguros que emitem ou garantem produtos de crédito – e que está profundamente imbrincado no sistema bancário normal.

Esta situação é tanto mais preocupante quanto é a própria UE que afirma em documentos oficiais que “o colapso desordenado de entidades do sistema bancário paralelo pode acarretar riscos sistémicos, tanto directamente como por via da sua interconectividade com o sistema bancário normal”.

Este assunto, ao contrário de muitos outros que nos enchem os dias, parece ser sério, grave e de longo prazo.

Curiosamente, não está presente no discurso político!

Será porque acham que não falando do problema ele deixa de existir? Ou porque os responsáveis políticos não têm resposta para ele?

É importante saber o que se passa e o que é que os responsáveis pensam sobre o assunto. De preferência depressa.

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