Crise e mau tempo de mãos dadas nesta Páscoa

04 COMERCIO NA BAIXA LC  (4)É sócio-gerente da ourivesaria Costa, uma casa com mais de sete décadas de existência, localizada na Baixa de Coimbra. “Estou aqui desde os 11 anos e completo, em agosto, 70 de comércio”, diz José da Costa do alto das suas sabidas 81 primaveras. “Passámos por momentos maus e por momentos bons, mas esta está a ser, indiscutivelmente, a maior crise de sempre”, certifica. “Falta-nos movimento, pessoas na rua e caras novas”, acrescenta.

A verdade é que, para o empresário, a Páscoa já não é o que era: “antigamente, não entrar um cliente ao fim de meia hora era um desastre. Agora? São duas horas… O tempo do movimento da Páscoa já lá vai”, lamenta. Contudo, embora se diga entristecido pelo período que atravessa, confirma que está ali por dedicação. “Gosto muito de conviver e conversar com os clientes. Acho que é um valor acrescentado estar em Coimbra ao balcão de uma ourivesaria”, remata.

Na papelaria Cristal, José Rénio, quando questionado acerca do estado do negócio durante os últimos dias, esclarece que “o tempo não tem ajudado”. O gerente diz que os turistas “andam por aí”. Mas – adianta – “o problema é que, quando chove, eles metem-se no hotel ou num café”. Apesar disso, mostra-se positivo ao dizer que “na semana da Páscoa trabalha-se sempre um bocadinho mais, é uma semana muito boa, dentro do razoável”. Quando questionado sobre o futuro, José Rénio solta um “ui!” pouco esperançoso e assegura que, na rua onde o seu estabelecimento está localizado, as lojas estão dependentes dos turistas. “Estamos a fazer menos de metade daquilo que fazíamos há um ou dois anos. Foi uma quebra muito repentina”, conclui.

(Texto: Tiago Mota em estágio no DIÁRIO AS BEIRAS com Patrícia Cruz Almeida

 

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