Serra da Estrela vestida de branco para o Carnaval

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Meia dúzia de funcionários da Turistrela são, dia e noite, de dezembro a abril, os guardiões da produção de neve no ponto mais alto de Portugal continental, que está coberto de branco para o Carnaval.

Durante os dias de folia, que arrancam já este sábado, todas as pistas da estância de desportos de inverno da Serra da Estrela vão estar abertas, desde que a meteorologia o permita, pois neve no local não falta.

Para além dos nevões que já caíram este ano, boa parte do manto nasce nos 49 canhões de neve instalados ao longo das pistas.

“Sempre que a temperatura esteja abaixo de dois graus negativos e a humidade não ultrapasse os 70 por cento, temos boas condições para produzir neve e ativamos o sistema”, explica à agência Lusa, Octávio Mourão, coordenador da estância.

Num ano normal, com alguma neve natural à mistura, os canhões são usados em 40% dos dias e permitem manter abertas “pelo menos as pistas mais fáceis”.

Se num dia de semana o número de funcionários ronda os 16, nas épocas altas, como o Carnaval, esse número pode chegar aos 40, desde técnicos a funcionários de balcão e instrutores de esqui e snowboard. São dias em que a estância chega a receber até dois mil visitantes, sublinha aquela responsável.

Por entre os funcionários, há uma equipa de seis pessoas que constitui o núcleo duro ligado à produção de neve, explica Octávio Mourão.

“Pelo menos uma pessoa fica sempre na estância durante a noite para preparar pistas e produzir neve”, a que se juntam as outras cinco, em horários diferentes, conforme as necessidades, para espalhar neve, bater pistas ou fazer manutenção de telesquis e da telecadeira.

Há nevões intensos em que este grupo se arrisca a ficar isolado na estância: “Já aconteceu e isso já não assusta”, garante o coordenador.

As instalações estão preparadas e recheadas de mantimentos para acomodar o grupo “durante uma semana” de isolamento.

O trabalho de bastidores é “muitas vezes invisível” para os visitantes, como o que está a ser feito às portas deste fim de semana de Carnaval: antes das 10H00, já alguns funcionários retiravam gelo dos cabos de telesquis.

No final, o objetivo é que todos possam desfrutar da neve no único sítio em Portugal onde esta existe todos os invernos e onde não há grandes obstáculos para quem quiser aprender, garante Sara Gomes, instrutora.

“Não há melhor sítio para aprender, porque aqui todas as pistas são de nível fácil, não assusta ninguém”, justifica.

Às aulas chegam “todo o tipo de pessoas, dos mais novos aos mais velhos, a partir dos três anos de idade e sem limite”, concluiu.

As entradas mais baratas nas pistas, sem aluguer de equipamento, custam 10 euros durante as tardes dos dias de semana de época baixa – conforme o calendário disponível na Internet em www.skiserradaestrela.com.

Os canhões de neve funcionam com base numa rede de condutas de água e ar comprimido sob o solo da estância e que são disparados sob pressão a uma altura de quatro metros.

A infraestrutura foi instalada em 2003 no âmbito da requalificação global da estância, um investimento de cinco milhões de euros.

Luís Fonseca, Agência Lusa

 

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