Opinião – Remodelação falhada

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FERNANDO SERRASQUEIRO

Fernando Serrasqueiro

As remodelações governamentais são movimentos intercalares na estrutura de topo do Estado que qualquer primeiro-ministro pretende evitar mas que diferentes circunstanciam o impõem.

Uma alteração nos membros do executivo é sempre visto como o reconhecimento dum falhanço que se mascara com razões de refrescamento.

Estas mexidas fazem-se por vários motivos, desde o pedido de saída pelo próprio até a imposição a contragosto que normalmente leva a retaliação futura. Podem acontecer para resolver questões de inadaptação, incapacidade ou quebra de relacionamento com os agentes que é suposto envolver.

Assistimos, recentemente, a uma mudança, que por ser ampla, pretendia dar resposta a um conjunto de problemas entendidos pelo PM como de constrangimento à atividade futura do governo.

Em Dezembro, previ, nesta coluna, uma eminente mexida e era sabido que envolveria o Ministério da Economia, sempre ele, porque estava parado, talvez anestesiado pelas Finanças e a necessitar de soluções para sair desse espartilho.

Quando se esperava que esta operação servisse para melhorar a imagem, descentrar as áreas problema, criar novas expetativas, eis que ficou ensombrada pela inabilidade da sua condução devida à ausência de agentes políticos experientes que pudessem guiar a sua ação com perfeito conhecimento de eventuais reações naturais e o saber controlar os efeitos adversos.

Convidar para o governo um ex administrador da SLN, empresa detentora do BPN, qualquer que ele fosse, no momento presente em que o tema está fresco, seria previsível fazer lançar uma discussão ruidosa nada favorável ao atual governo.

Inabilidade que estragou os efeitos pretendidos e fez sublinhar a necessidade urgente doutra remodelação, agora de ministros, que tem de incluir aqueles que gastaram rapidamente a sua imagem e são hoje um ónus para o governo e para o país.

Uma remodelação não pode, não deve, ser uma operação de cosmética. Tem de incluir ajustamentos à implementação das políticas seguidas. Só assim produz efeitos positivos, como parar para refletir, adiar medidas, consolidar processos, buscar tranquilidade social.

O PSD não cuidou de incluir plenamente o seu parceiro CDS nesta solução o que lhe deu o pretexto para, como é costume, habilmente se por de fora mas continuar dentro. As consequências são evidentes.

O PM matou a remodelação e fez renascer o caso BPN. Dor de cabeça para alguns!

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