Opinião – TGV – só os burros é que não mudam

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Micael_Sousa2Micael Sousa

Boas notícias, o governo mudou! Bem, mudou só numa opinião, mas já é alguma coisa. Finalmente vamos ter um investimento público importante num projeto de desenvolvimento económico. Seja com TGV, ou outro modelo de alta velocidade qualquer, parece que se disse não ao populismo.

Há muito que as “Redes Transeuropeias de Transportes” preveem os fundos para trazer a Portugal a alta-velocidade em bitola europeia. Seguramente que era preciso negociar mais e melhor financiamento para o projeto, mas isso deveria ter sido um ato contínuo e continuado, sem pausas – um país parado tem custos sociais avultadíssimos.

Portugal, desde sempre, tentou não depender da sua ligação terrestre a Espanha. Não foi por acaso que o país cresceu para o litoral e depois além-mar. Isso foi essencial para a nossa afirmação enquanto nação independente. No entanto, os tempos são outros. Hoje não somos um império marítimo e, apesar de o mar ser incontornável para o futuro, as ligações terrestres não são de descurar. Os conflitos com Espanha são coisas passadas, sendo hoje o nosso maior parceiro comercial.

Apesar do muito investimento em autoestradas, o nosso sistema de transportes ainda é deficiente. Falta-nos a intermodalidade e variedade modal de transportes de complemento, aproveitando para cada caso o potencial inerente a cada tipo de transporte. Sabe-se que o modo mais eficiente de transportar mercadorias, para grandes distâncias, é pela via marítima, depois a fluvial e ferroviária, e só por fim a rodoviária e aérea. Depois existem também outros critérios para a pequena distância e para a necessidade de maior velocidade. Por isso, deixemo-nos de populismos e optemos pelo modo mais adequado a cada fim, sem fundamentalismos. Assim, a ligação ferroviária de alta-velocidade faz sentido.

Para a nossa região de Leiria, pensando no sistema de transportes de um modo integrado, esta novidade poderá ser uma oportunidade de remodelar e potenciar as infraestruturas que já temos, como ligação e complemento intermodal. Poderá ser a oportunidade para a viabilidade da reabilitação da Liga do Oeste e uma esperança, na curta e média distância, para o aproveitamento das autoestradas e para a sobrevivência das empresas de transportes rodoviários que poderiam fazer os fretes de ligação. As exportações só terão a beneficiar.

“Só os burros é que não mudam quando sabem que se enganaram”.

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