Opinião – Tempestades

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António Augusto Menano

António Augusto Menano

Sabe-se que o pensamento constrói, ao longo do tempo, sucessivas representações do real, da realidade. Vai procurando absolutos que a representem, e a filosofia, num determinado momento, será tão mais verdadeira quanto unificar e vida e o homem.

Vêm estas considerações a propósito do recente temporal, cujas sequelas ainda perduram, momentos de associação, para mim, com o ciclone de 12 de fevereiro de 1941, que me levou pelos ares, com três anos, tendo sido salvo de ser projetado por cima do muro do pátio da Igreja de Santo António, pelas mãos de um amigo de família, que comigo se encontrava.

Foram estes, instantes de alteração do fluir manso da realidade, com persianas arrancadas, telas da cobertura rasgadas, chuva a cair ao lado da minha cama. Sem luz, telefones e televisão, não esqueci o mundo da infância, nem me refugiei no desespero, a memória veio em meu auxílio, mantive-me calmo.

O sovaco não fica assim tão longe do cotovelo. E da mão. Soube que, como na realidade social, a procura de soluções era exigida. Estávamos todos no mesmo barco. Apenas a união e a solidariedade poderia resolver o rasgão no nosso quotidiano. Foi assim que o temporal me impeliu a pensar ser necessário apagar o medo, a arrogância e o autoritarismo.

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