Opinião – Mal-estar escolar

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Aires-Diniz

Aires Diniz

Os jornais falam pouco do mal-estar que se vive nas escolas, mas que vai desgastando e enervando os professores, enquanto poucos jornais se preocupam em definir os problemas dos jovens que as frequentam.

Vão só noticiando os seus atos de indisciplina e violência e a incapacidade de chamar os pais à Escola para saberem como se comportam os seus rebentos. Vivemos assim um tempo de guerra civil nas escolas, expresso em 18 ocorrências criminais em média por dia (Público, 13/2/2013, p. 3 ). Mas, ninguém questiona contudo as razões que levam a esta situação.

Também ninguém repara que “até Junho de 1826 se demorou Júlio Pimentel na sua casa de Moncorvo. Por este tempo partiu para Coimbra com dois irmãos seus para todos se matricularem na Universidade” . E o curso demorou mais tempo porque entretanto houve uma guerra civil e Júlio Pimentel, o futuro Visconde de Vila Maior, andou no Batalhão Académico como liberal a combater os miguelistas, sentindo a defesa da liberdade como condição primeira para construir o seu futuro como cientista.

Agora nada disso acontece por os estudantes terem uma atitude menos empenhada na solução dos problemas do país. Existem até casos como aconteceu recentemente na Guarda, em que se formou um gangue que andava pela noite agredindo outros jovens, todos um pouco mais velhos que eles, e inquietando durante o dia professores, funcionários e colegas da sua escola. Entretanto, uns tontos que nos governam vão fazendo e desfazendo estatutos de aluno como se isso resolvesse a desestruturação das famílias e as dificuldades criadas pela austeridade brutal, que vivem e que estas se mostram incapazes de resolver, evidenciando falta de resiliência.

Mas, o caso não é para menos.

De facto, desde que Maria de Lourdes Rodrigues decretou que os problemas criminais não existiam na Escola, que seria um “condomínio fechado”, onde não entravam os “bandidos”, a organização escolar tornou-se incapaz de ver a realidade. Apenas se preocupou em fazer da Escola um lugar a tempo inteiro, onde os pais despejariam os filhos às primeiras horas da manhã e os iriam buscar ao fim da tarde sãos e salvos…do pecado que “só” estaria cá fora. Mas, este mal também se matricula logo no início do ano. Entretanto, caprichosamente prepotente, esta socióloga incompetente foi desestruturando a escola, criando um simulacro de “reforma”. Dizia ela. E quando foi substituída por Isabel Alçada esta não foi capaz de ver a diferença entre a ficção e a realidade e nada resolveu. Por fim, o crítico Crato meteu a viola no saco e deitou-se na cama ainda quente das pedagogas, que o antecederam e por lá anda enroscado.

Entretanto, o mal-estar continua enquanto o vai concentrando em mega-agrupamentos, tornando-o ainda mais insolúvel.

Quem o vai parar. Quem para estes agressores. Quem diz não. Nós. Claro. Tem que ser.

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