Opinião – Foco na economia local

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01 NORBERTO PIRESJoaquim Norberto Pires

Quando se pensa numa comunidade local, no seu futuro e se tenta definir uma estratégia de desenvolvimento que a perspective e projete no futuro, a primeira ideia é sempre a de fazer evoluir a economia local de forma a gerar valor acrescentado e prosperidade. Isso significa que a comunidade tem de desenvolver mecanismos para ser atrativa como local para viver, para criar e educar uma família, para trabalhar e iniciar negócios, para praticar desporto, para lazer e cultura, e oferecer oportunidades que permitam criar a ideia de que aquele local é vibrante, seguro e de confiança. Tudo isto exige planeamento, olhos bem abertos e uma plano firme que seja capaz de tirar partido das potencialidades da comunidade local, aproveitando os financiamentos disponíveis (em termos nacionais e internacionais) e os mecanismos que podem ser acionados para acelerar certos objectivos. É, por isso, um trabalho de grande fôlego que tem uma componente estratégica muito vincada.

Consequentemente, atrair empresas e negócios é importante e decisivo, mas não é suficiente e pode ser contraproducente se não se tiver um objectivo de longo-prazo em mente. Na verdade, as empresas, industriais ou comerciais, têm de se sentir bem num determinado local, percebendo que esse é o local certo para desenvolver o seu negócio. Isso significa que as entidades de governo dessa comunidade local fizeram o trabalho de casa, isto é, identificaram as suas potencialidades e mais-valias, perceberam com realismo as suas fragilidades, sabem com exatidão os recursos financeiros, técnicos e naturais que têm e/ou que podem reunir e ser usados para atrair, criar e manter negócios com sucesso. Isso significa também a percepção do que pode ser desenvolvido tirando partido dos recursos endógenos para gerar produtos, serviços e marcas que sejam suporte económico dessa comunidade local, mas também a imagem do seu dinamismo, pragmatismo e realismo. É muito importante que se perceba que uma comunidade local sabe bem o que é, o que pode vir a ser, onde se posiciona, e que se organizou para tirar máximo partido das suas potencialidades e para se diferenciar relativamente às comunidades vizinhas, com as quais quer gerar sinergias que potenciem toda uma região.

Colocar o foco na economia local deve por isso ser uma aposta séria de governos locais e nacionais. O sucesso dessa dinamização, que implica uma forte diferenciação e uma forte rede de parcerias, é um objectivo que deveria ser perseguido por um país pequeno e periférico como Portugal: esse deveria ter sido o grande objetivo de todos os programas comunitários de apoio. Deveriam ter percebido, era e é estratégico que o façam, que Portugal é um país que precisa de contar com as comunidades locais, com as suas riquezas, com as suas gentes, cultura e costumes, com a sua história e património edificado, com a sua gastronomia e com a qualidade e beleza do seu território, para construir oportunidades de novos negócios, novas empresas, novo e melhor emprego e com isso, com a riqueza gerada, melhor qualidade de vida e razões para fixação de novos empreendedores, com novas ideias capazes de tirar partido, de forma sustentável, do que lhes é oferecido.

O cerne de tudo isto é a organização das comunidades locais em formas de governo mais eficientes, descentralizadas, realistas e envolvidas com a comunidade, e que, justamente, incentivam os seus habitantes a arregaçar as mangas e dar o melhor do seu tempo e empenho pelo sucesso da sua comunidade. Essa mobilização só se consegue com realismo, equipas competentes e um plano estratégico ambicioso e realista de médio e longo prazo. Eu tenho esperança que no futuro assim será.

(artigo também publicado no re-visto.com)

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