Opinião – Europa, assim não!

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LUÍS PARREIRÃOLuís Parreirão

Os cidadãos europeus viveram os últimos dias na expectativa do que o orçamento da União Europeia lhes proporia para os próximos sete anos.

Expectativas individuais para uns, para outros de grupo profissional ou de interesses, para outros ainda as do seu país.

Para mim, a expectativa dominante fundava-se na ansiedade de perceber qual a proposta que teríamos para a Europa e para o seu papel no mundo nos próximos sete anos.

E a expectativa era alta!

Partindo de uma crise económica especialmente impactante na Europa, de uma notória incapacidade de competição e de afirmação perante os EUA e tendendo para a irrelevância à escala global, a Europa só podia avançar agora com ambição e vontade.

Confesso que a atitude “peituda” do chefe do governo britânico, ao entrar para a reunião, me deixou apreensivo. Estava ali a arrogância imperial do já inexistente império! Arrogância que, aliás, ficou sem resposta. A nocturna odisseia, apesar de habitual, também não era de grande augúrio!

No entanto, passada a noite em claro, foi com júbilo que comecei a ouvir as matutinas notícias de sexta-feivra, 8 de Fevereiro. O Presidente do Conselho europeu, a par dos outros governantes, “saudava” o orçamento aprovado.

Ouvi as várias declarações e pensei – Temos Europa!

Foi, no entanto, “sol de pouca dura”.

Logo os líderes dos quatro principais grupos políticos no Parlamento Europeu – conservadores, liberais, socialistas e verdes – se manifestaram contra o orçamento afirmando que o parlamento o não aprovaria. Ou seja, não haverá orçamento.

Quanto a Portugal percebeu-se que o orçamento aprovado – 27, 8 mil milhões de euros -, era inferior, em cerca de 10%, ao último.

No conjunto da Europa o “envelope para as despesas públicas será de cerca de 960 mil milhões de euros o que representa a primeira queda em mais de 60 anos de Europa Comunitária”.

Destaca-se que o orçamento passa de 1,12% do PIB Europeu para 1% e os principais “cortes” são nos fundos para a coesão económica, social e territorial, bem como para o crescimento sustentável.

Retém-se, preocupantemente, que os Presidentes da República e os Primeiros-ministros não têm mandato, nem autoridade, sobre os seus grupos políticos.

Regista-se que a Europa discute os montantes do orçamento mas não consegue dizer qual a estratégia que esse orçamento visa concretizar. Razão tem o Doutor Manuel Porto na dramaticamente lúcida síntese que fez: “faz saudades o Presidente Jacques Delors, quando o orçamento era de 1,24% do PIB dos países europeus, contra menos de 1% agora. Lamento que a União Europeia não tenha um orçamento à medida das nossas ambições.”

Quais Ambições?

Assim não, Europa.

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