Opinião – Catástrofes

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Micael Sousa

O mau tempo que assolou a nossa região deixou grande parte da população à beira do desespero. Os prejuízos, seguramente, somam-se em milhões, tanto pelo que se danificou como pelo que não se pôde fazer quando faltou água e eletricidade.

Com a queda de árvores também algumas vias ficaram intransitáveis. Estas catástrofes revelam muitas das nossas fragilidades: as mais imediatas, dependentes da qualidade das infraestruturas; e, as mais profundas, decorrentes dos nossos modelos de expansão, desenvolvimento e ocupação do território.

Prever catástrofes naturais é difícil, ou até mesmo impossível. No entanto, é para mitigar essas contingências e imprevisibilidades que se devem: fazer estudos; tomar certas decisões estratégicas e preventivas; e criar planos de resposta para a emergência.

Será difícil que as infraestruturas suportem todas as catástrofes e intempéries, ainda que devam ser planeadas e executadas para resistir a casos de exceção – pelo menos assim mandam os vários regulamentos das várias especialidades.

Nestes dias passados demonstrou-se, violentamente, os efeitos do modo desordenado, e por vezes caótico, como nos expandimos, ocupamos e infraestruturamos o território.

Os nossos modelos urbanos difusos, com zonas urbanizadas de baixa densidade e descontinuamente espalhadas por grandes zonas do território, são apontados como sendo altamente insustentáveis. Isto porque desperdiçamos solos, aumentamos desnecessariamente as distâncias de transporte e fazemos crescer, de igual modo, a necessidade de mais infraestruturas básicas e serviços.

Mas os modelos difusos causam outro problema que só se evidencia em casos de emergência. Devido às descontinuidades, grande parte das nossas infraestruturas não constituem malhas ou anéis entre si, ou seja, não existe redundância ou ligações alternativas quando a ligação principal falha. Normalmente é por essa razão que nas cidades, onde existem sistemas “malhados” de infraestruturas, mais facilmente se resolvem avarias e se conseguem garantir abastecimentos alternativos.

Estando grande parte das redes já montadas, e não se prevendo, a curto prazo, expansões urbanas que ocupem os vazios ou façam ligações alternativas, os problemas das descontinuidades persistirá. Seja qual for a solução, os custos serão sempre elevados. Resta-nos então a intervenção de emergência pública, a do Estado – pelo menos enquanto não for desmantelado.

One Comment

  1. Referéncia:Opinião – Catástrofes
    Esses eventos catastróficos são só catastróficos porque as leis básicas e as infraestruturas não estão sendo forçadas ou mantidas.
    Por exemplo, durante a tempestade recente, tivemos uma árvore de pinheiro vizinha que tinha caído para a linha de eletricidade EDP à nossa casa. Esta árvore nunca teria caído para a eletricidade se as leis básicas do país foram implementadas, embaixo de uma das leis é aquele que cobre "o problema" de incendios nas florestas. Esta lei afirma que nenhuma plantação de silvicultura deve ser dentro de 10 (dez) metros de qualquer caminho público.
    Bem a árvore de pinheiro que aterrisou na nossa eletricidade foi por cima de um caminho público, a árvore foi só aproximadamente 6 metros de altura, assim se esta árvore foi plantada aproximadamente 10 (dez) metros mais atrás, segundo as leis de Portugal, então isto teria morrido de rir 4 (quatro) metros em falta do golpe na linha de eletricidade.
    Na evitação da linha de eletricidade então nenhuma catástrofe teria ocorrido, a provisão de eletricidade teria continuado ininterrupto, e também o caminho público não teria sido fechado a motoristas.
    Motoristas, inclua aqueles transportes de condução como ambulâncias, bombardeamento e a polícia, em outras palavras os serviços de emergência não teriam sido parados por causa de uma árvore de pinheiro única plantada no lugar incorreto!

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