Opinião – Capitular? Não! Rebeldia? Sim! Liderança e “chefiança”

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Norberto CanhaNorberto Canha

Até que enfim que vejo anunciado para 22 de Fevereiro que a vice-presidente da Comissão europeia, Viviane Reding, estará em Coimbra para um diálogo com os cidadãos e tive a fortuna de receber um convite para participar num debate, o que farei.

Farei até porque apareceu ao portão da minha casa ia eu a entrar, um cavalheiro, com calças de ganga à moderna porque até tinham buracos no joelho, a pedir dinheiro para comer. “Não dou esmola a ninguém, vá trabalhar”.

– “Mas é isso que eu quero. Na construção civil faço tudo, pintor, aplicador de azulejos… etc!.

– “Venha cá no dia seguinte”. Era um sábado, à hora combinada estava à frente da minha casa. Espera uns minutos, entra, mostro-lhe o que pretendia e revelou-se conhecedor, que queria trabalhar e sabia trabalhar. Toma o pequeno almoço comigo e dei-lhe uns poucos euros.

Falo com a minha mulher, deitou as mãos à cabeça e exclama: “A nossa reserva está no fundo, já não sei se teremos dinheiro para pagar o imposto das autárquicas e apareceu um novo imposto de solidariedade”.

Suponham que daqui a pouco não posso pagar à empregada? É mais um desempregado e o nosso destino é um lar que, deixemo-nos de eufemismos, é uma prisão. É uma dependência.

Não que não tenha filhos encantadores, mas eles têm os seus filhos, a sua labuta, os seus encargos, os seus tempos ocupados. E somos nós que temos que dar uma ajuda tal como levar ou ir buscar os netos. Seria um sacrilégio que do pouco tempo, que verdadeiramente já não têm, tivesse um sacrifício acrescentado para cuidar de nós.

Ora, nós temos um milhão de desempregados, na sua maioria com vontade de trabalhar, e os que podiam criar emprego estão exauridos pela avalanche de impostos.

E há tanto que fazer.

Isto leva-me às seguintes conclusões:

– Não há estadistas, porque um estadista conhece o seu país, as suas potencialidades, os seus defeitos… as soluções.

– Há líderes que, tal como os antigos “aldrabões de feira” arregimentam multidões mas são irresponsáveis perante a ineficácia do propagandeado, vendem apenas o produto, as ilusões, os lorpas, que somos nós, que não tenham acreditado. São demagogos. São os iluminados da liderança.

– Mas nós o que precisamos é de “chefiança” – de chefes que sabem o que fazer, como fazer e assumem e são responsáveis pelos seus actos.

Em síntese, um chefe “a todos ouvirei, mas eu decidirei” pois sou responsável perante o insucesso pois que o sucesso é partilhado por todos.

Estou à espera que este encontro seja diferente de todos os encontros e audições que tenho tido com os políticos. Entram faladores, ficam-se surdos ou inoperantes… e saem mudos.

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