Opinião – A cultura sem “cultura” orçamental

Posted by

MÁRIO NUNESMário Nunes

O orçamento do Estado para 2013 à semelhança do aprovado em 2012, coloca a Secretaria da Cultura (pobre cultura que nem ministério já possui) numa quase valência simbólica, que ocupa, no nosso entendimento, muitos espaços oficiais com muitos técnicos, assessores e trabalhadores, limitando-se, pela exiguidade do orçamento estatal, assim pensamos, a não cumprir o exigido a um departamento oficial com as responsabilidades que lhe são cometidas. É que sem orçamento compatível com a sua missão os projectos a executar ou a organizar e as acções de defesa e valorização da herança cultural recebida, bem como o apoio aos agentes culturais e ainda à investigação e criatividade ficam na gaveta ou no pensamento dos autores, quedando-se na expectativa de haver melhores dias … um dia.

Na cauda dos orçamentos de todos os ministérios apresenta-se quase sem algarismos, pois recebe umas migalhas, uns trocos, que sobram das mesas fartas. Nestas circunstâncias, que poderá fazer em prol da Cultura nacional? Teatro, cinema, artes plásticas, música, cultura popular, património monumental, museologia, literatura e outras áreas como ultrapassarão as carências dos euros em 2013?

Escrevemos sobre este assunto porque nos preocupa observar e ter de aceitar, que a crise faça soçobrar o talento e o empreendedorismo dos cidadãos que fomentam iniciativas culturais e são veículos de promoção e desenvolvimento do país, além de angariadores de postos de trabalho. Porque investir na cultura, contrariando muitas figuras da sociedade portuguesa e demasiados políticos, não é criar despesas, mas apostar na qualificação das pessoas, na coesão dos cidadãos, no desenvolvimento social e, consequentemente, contribuir para inovar e desenvolver a economia, enriquecer e projetar o país. Em Coimbra é notória a falta de apoios estatais mormente na música, onde se insere a Orquestra Clássica do Centro, que embora registe um número avultado e diversificado de acções pedagógicas e de formação musicais, com e para público de todas as idades, estratos sociais e níveis económicos e culturais, lastima, e com razão, a ausência da ajuda da Secretaria da Cultura, enquanto as suas congéneres, no país, recebem milhares e ou milhões. Esta descriminação faz pensar que Coimbra não existe, logo não figura no mapa de apoios estatais, acompanhando o “isolamento” que lhe foi imposto, por Lisboa, noutras áreas. Coimbra merece, sem favor, ser tratada como outros centros nacionais. Há anos que lutamos, pessoal e pela escrita, para haver uma igualdade de atenção cultural para Coimbra. Porém, os anos vão passando, as iniciativas necessitadas de apoio ficam órfãs de dinheiros públicos e os empenhados dirigentes e criadores vão desanimando e deixando sem energia o “motor” aferidor da evolução da humanidade e pendor da maturidade do homem, a cultura. Por isso, voltámos ao tema e dele nos ocuparemos sempre que a nossa voz e as nossas palavras escritas sejam oportunas. E, como é princípio de ano … Coimbra merece outra visão do Governo.

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*