Opinião – 40 anos

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António Augusto MenanoAntónio Augusto Menano

O “Expresso” fez quarenta anos. Integrados na data, publicou quatro cadernos intitulados “O que a censura cortou”, organizados por José Pedro Castanheira. Ao desfolha-los encontrei, no primeiro:”Na Figueira da Foz, proibido o despacho do Governo Civil de Coimbra a indeferir o requerimento no sentido da realização de uma “festa de confraternização republicana”no teatro-cine, por ocasião do 31 de janeiro”.

A edição era de 27 de janeiro, e o local era o Parque-Cine. Na edição de 2 de fevereiro de 1993, foi cortado um conto de Luis Cajão, intitulado “A Flor e a Nuvem”. Lê-se no caderno “Pudico e atento aos bons costumes, o censor a quem coube a leitura do texto não gostou das cenas de amor vibrante entre Ricardo e a pastora Josefa”. E, consequentemente, o escritor figueirense radicado em Lisboa viu ir para o cesto de papéis o seu trabalho.

Lê-se na página 53: ”Dava para uma página inteira a reportagem de uma jornada de estudos sobre a droga. Realizada no Centro Ecuménico Reconciliação, em Buarcos, na Figueira da Foz, era assinada por António Augusto Menano. Participaram sacerdotes católicos, pastores protestantes, médicos, sociólogos, jornalistas estudantes.

Primeiro, levou com o carimbo “Demorado”. Era apenas a antecâmara: foi para o lixo. Foi em 24 de março de 1993.Outras cirurgias houve. 40 anos passados, sei que está na mão de todos nós impedir o regresso de tempos semelhantes.

One Comment

  1. jose cardoso says:

    1973, 1973, certo?

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