Opinião – 100%

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Paulo Almeida

Já há números da execução orçamental e o cenário confirma que o mal de Portugal deve estar nos portugueses comuns que teimam em contrariar o ministro das Finanças Vítor Gaspar.

Para este ministro, a quem nunca ouvi acertar uma única previsão, nós estamos todos errados. Sim, porque ele parece continuar com a certeza científica de que acertou e que fomos nós que propositadamente sabotamos o seu trabalho. Para aprendermos a lição, vêm uns 800 milhões de cortes em “gorduras” do tipo pensões e saúde. É quanto vale, para já, termos errado em 100% a percentagem da recessão para 2013. E ainda faltam dez meses para acabar o ano.

Se ao longo do ano formos maus alunos, prevejo ainda mais impostos para nos corrigir. Eles são às carradas, mas continuo sem entender por que razão os impostos não funcionam. Pois se funcionassem, considerando a carga que temos e os sucessivos aumentos, Portugal estaria há muito livre de qualquer perigo. Por isso digo que algo vai mal no reino do Gaspar.

No da Dinamarca, por exemplo, foi no final do ano passado revogada a taxa imposta em 2011 e que incidia sobre a comida com mais de 2,3% de gordura porque os dinamarqueses iam às compras à Alemanha ou à Suécia, deixando os supermercados do seu reino vazios. Foi uma taxa considerada ineficiente e, por isso, acabaram com ela. Infelizmente para nós, não há supermercados no Atlântico e, também por isso, mais de 100.000 portugueses viram-se forçados a emigrar no ano passado.

Com ou sem falhanços ministeriais nas previsões, tenho por certo que esta política não vai impedir mais falências, desemprego e despesa do Estado. Só em subsídios de desemprego (impossíveis de extinguir de acordo com o Tribunal Constitucional) gastou-se em Janeiro deste ano mais 33% do que no ano passado.

Não é pedir demais que os impostos, não só os alegadamente extraordinários, sejam pelo menos eficientes. O que parece ser demasiado é pedir que, em nome de todo um país, sejam guardadas algumas das ruínas em que Sócrates nos deixou para que os sobreviventes deste napalm fiscal, sem prejuízo da reforma que há-de vir, se possam erguer de novo e com eles a economia deste país.

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