Opinião – 10 mandamentos da RTP

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BRUNO PAIXÃO opiniaão recorteBruno Paixão

1. Não cobiçar o alheio. Nenhum governo sucumbirá à tentação de controlar a RTP e a informação. Assim é, e assim será.

2. Não furtar. A RTP é como uma mãe: por dinheiro nenhum do mundo a venderás. Muito menos por trinta dinheiros, nem entregarás a gestão total a quem ficar apenas com 49% dela.

3. Não levantar falsos testemunhos. Se por infortúnio ouvires o douto Relvas atabalhoar-se em confusões, clamando pela privatização, alimentando a concessão ou até vociferando pela semi-privatização, lembra-te que, no fim de tudo, a montanha poderá expurgar uma reestruturação. E o que quer isso dizer? Não sei.

4. Desconfiar. Se mirrarem as largas mãos do Estado e se alguém, porventura, vier dizer que é preciso reestruturar a televisão pública, desconfia. Porque reestruturar é desejável se inovar, se diminuir ordenados faraónicos, ou se banir programas que parecem dedicados a emigrantes que abandonaram Portugal nos anos 50.

5. Não privatizar. Da RTP vão partindo para outros canais bons jornalistas. Logo, a RTP, para além de uma televisão, é também uma escola. Há escolas que são privadas. Mas a RTP é pública. E como pode o público permanecer público, se se decide privatizá-lo?

6. Guardar castidade nas palavras. Não confundirás pois televisão pública com serviço público. Este último é o produto do amanho de todo o jornalista que se preze. Esteja ele no canal público ou no jornal privado.

7. No princípio era o verbo. O espírito (da Constituição), quando refere serviço público, pretende mesmo dizer serviço público. Contudo, agrilhoada, a Constituição é como a rainha de Inglaterra: vive num palácio, mas não passa de um verbo de encher.

8. Honrar pai e mãe. Mas sem Pátria não há patriotismo. A RTP não é a tua Pátria. A tua pátria “é a língua portuguesa”, patenteada por Pessoa, no Livro do Desassossego. Quando muito, a RTP será a tua Mátria!

9. Não matar. 600 cabeças quererá o governo decapitar. Bem podia juntar a ira para fazer produzir mais e melhor, fornecendo informação ao mundo que fala português, fundindo os canais internacionais que têm a insígnia RTP. Assim, poderemos ser “ouvistos” pelos portugueses, como proferiu o douto Relvas.

10. Morrer sem glória. A RTP nasceu para as emissões em 1956, na Feira Popular de Lisboa (um prenúncio para a pândega). Acabará no dia do apocalipse, a ser decretado em Diário da República, sem que o fim do mundo implique direito a feriado ou dia santo.

O tal que não coube: 11. Tu, ó jornalista do serviço público, sob a aguçada espada do despedimento, sitiado entre a liberdade que finges ter e a astúcia que finges não ter, não oferecerás subserviência aos senhores que se curvam à troika.

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