Opinião – Desemprego

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A importância do trabalho, vai para além das necessidades de produzir mais valias económicas, pois envolve necessidades humanas individuais, produzindo o Homem bens, que promovem o seu desenvolvimento pessoal, familiar e colectivo

O trabalho desempenha um papel fulcral na estruturação do ser humano, determinando o seu bem estar psicológico, físico, social e até moral, e a relação homem/trabalho não tem apenas efeito de equilíbrio pessoal, mas imprime marcas civilizacionais e culturais a um país.

O primeiro acto histórico que distinguiu o Homem dos outros animais foi a capacidade que o Homem tem de produzir, de transformar objectos em produtos, esforçando-se por melhorar a qualidade da sua vida e na medida em que isso acontece, o homem contribuiu para melhorar a vida da comunidade em que se insere e portanto o trabalho é de vital importância para o ser humano e para as sociedades, dado que o homem aprende a ser humano.

Os últimos dados do INE indicam que Portugal tem 870 mil desempregados, sendo 500 mil de longa duração e entre os jovens a taxa de desemprego aproxima-se dos 40% mais 25 mil só no último trimestre, tendo-se destruído num ano, quase 200 mil empregos.

O ano de 2012 encerrou com os seguintes resultados: mais desemprego, menos receita fiscal e mais dívida pública, e com investimento negativo de menos de 15%. Esta situação dramática pode colocar em risco a própria democracia, bastando para tal recuarmos aos finais da Primeira República para concluirmos isso.

Os jovens não têm trabalho porque não há empregos novos em Portugal, os menos jovens com 40, 45 anos que são despedidos engrossam os desempregados de longa duração, a maioria oriundos da construção civil, da restauração, dos pequenos negócios pois o Governo com medidas várias tem destruído esses sectores de actividade.

Estes despedidos, com pouca qualificação, não têm tido formação profissional pois há uma completa indefinição uma subalternização da educação de adultos e da sua formação profissional.

Joaquim Valente

Joaquim Valente

Temos o dever de chamar a atenção de toda a sociedade para a emergência de tomadas de posição para o dramatismo que representa hoje o desemprego e encará-lo com naturalidade ou como um meio necessário para a autorregulação dos mercados ou como uma forma de se ganhar competitividade externa, é desrespeitar despudoradamente a mais elementar dignidade humana.

Sabemos que não vivemos no melhor dos mundos, longe disso, mas numa política de proximidade assistimos ao definhar do tecido económico e da população o que não é casuístico, antes atitudes programadas e desejadas e correspondem a uma visão política da economia e da sociedade por parte do actual Governo e o pior de tudo é que os efeitos destas medidas não se apagam facilmente.

Que fazer? Como escreveu o Filósofo e Pai do Conservadorismo Anglo-Americano Edmund Burke: “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens não façam nada. Que cortem a cabeça ao peixe, que o deitem fora e arranjem outro”!

Esperemos que seja uma questão de tempo.!

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